Terça-feira, Junho 27, 2006

Mari Alkatiri não foi convocado para Conselho de Estado, gabinete PM

O primeiro-ministro demissionário Mari Alkatiri está ausente da reunião do Conselho de Estado de Timor-Leste, iniciada hoje de manhã (hora local), por não ter sido convocado, disse à Lusa fonte do gabinete do chefe do governo.
"O primeiro-ministro não recebeu nenhuma convocatória para a reunião, por isso não está presente", explicou a mesma fonte contactada pela Lusa.
Mari Alkatiri é o único conselheiro de Estado ausente da reunião convocada para hoje pelo presidente da República logo após ter recebido segunda-feira o pedido de demissão do primeiro-ministro.
A reunião, a terceira desde 30 de Maio, foi convocada sem indicação de agenda, o que acontece pela primeira vez.
O Conselho de Estado, órgão de consulta do Presidente da República, foi convocado "a fim de garantir o bom funcionamento das instituições democráticas e uma gestão eficaz da crise nacional enfrentada pelo país", lê-se num comunicado do gabinete de Xanana Gusmão divulgado segunda-feira.
A Frente Nacional Justiça e Paz, que desde quinta-feira coordena as manifestações em Díli contra o governo, anunciara segunda-feira que mantém a exigência de dissolução do Parlamento Nacional, rejeitando a formação de um novo executivo no actual quadro parlamentar.
Dos 88 deputados ao Parlamento Nacional, 55 pertencem à FRETILIN, partido liderado por Mari Alkatiri.
Segundo a Constituição de Timor-Leste, o Presidente da República só pode dissolver o Parlamento Nacional depois de ouvidos os partidos políticos nele representados e o Conselho de Estado.
Outra fonte, oficial, contactada pela Lusa admitiu que outra das matérias que pode ser debatida na reunião do Conselho de Estado é a eventual prorrogação por 30 dias das medidas de emergência anunciadas a 30 de Maio, por Xanana Gus mão.
As medidas de emergência, anunciadas por Xanana Gusmão numa altura em que Díli vivia uma situação de violência crescente, incluem "a apreensão de armas , munições e explosivos", "a vigilância de pessoas, edifícios e estabelecimentos " e a "exigência de identificação de qualquer pessoa que se encontre ou circule em lugar público ou sujeito a vigilância policial".
Na última reunião do Conselho de Estado, a 21 de Junho, convocado para analisar a situação no país face a denúncias sobre uma alegada distribuição de armas a civis, Xanana Gusmão ameaçou demitir- se se Mari Alkatiri não aceitasse d eixar a chefia do governo.
Desde o início da crise, a 28 de Abril, foram mortas cerca de três deze nas de pessoas numa onda de violência que provocou ainda mais de 145 mil deslocados.
Para pôr termo à violência, as autoridades timorenses solicitaram a intervenção de uma força militar e policial da Austrália, Portugal, Nova Zelândia e Malásia.
EL/JPA.
Lusa/fim

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