PR vai nomear com urgência novo governo para preparar eleições
O presidente Xanana Gusmão declarou hoje que a crise em Timor-Leste só será "completamente ultrapassada" com eleições a realizar "logo que possível" e que iniciou diligências para a formação de um novo governo com a "maior urgência".
"Estou consciente de que a crise actual só poderá ser completamente ultrapassada através de eleições livres a realizar logo que possível", lê-se num comunicado do presidente timorense divulgada em Díli.
"Mas o país precisa, entretanto, de ser governado com eficácia e justiça, no respeito pela Lei Fundamental, até estarem criadas condições para marcar a data do acto eleitoral e chamar o povo a decidir", sublinha.
Por isso, refere, é "da maior urgência a formação de um novo governo".
"No âmbito dos poderes que me são conferidos pela (...) Constituição, já encetei diligências adequadas para, no actual quadro parlamentar, procurarmos uma solução estável de governação que se mostre apta a restaurar a paz e a confiança do nosso povo nas instituições democráticas por cujo funcionamento sou eu, como Presidente da República, o primeiro e último responsável", sublinha.
"A aceitação pelo Presidente da República do pedido de demissão do Primeiro-Ministro [Mari Alkatiri] implica, automaticamente, a queda do governo que cessa as suas funções com a nomeação e tomada de posse do novo", lê-se ainda no c omunicado de Xanana Gusmão.
No documento, Xanana Gusmão refere-se também às medidas de excepção que decretou a 30 de Maio, à remodelação governamental que promoveu a 3 de Junho, com a posse de novos ministros da Defesa (José Ramos Horta, em substituição de Ro que Rodrigues) e do Interior (Alcino Baris, em vez de Rogério Lobato), e ao plano de acção que apresentou ao Conselho Superior de Defesa e Segurança.
"Foram instrumentos indispensáveis para assegurar o mínimo de operacion alidade dos serviços públicos essenciais na resposta à situação de catástrofe so cial e política então iminente", sublinha.
"Ouvido o Conselho de Estado, no dia 27 de Junho, prorroguei por mais 30 dias as medidas de excepção em vigor, a fim de prosseguir a urgente reposição da ordem pública e o socorro de emergência às populações deslocadas", acrescenta.
As medidas anunciadas por Xanana Gusmão a 30 de Maio, para vigorar durante 30 dias, incluem "a apreensão de armas, munições e explosivos", "a vigilância de pessoas, edifícios e estabelecimentos" e a "exigência de identificação de qualquer pessoa que se encontre ou circule em lugar público ou sujeito a vigilância policial".
Timor-Leste vive uma situação de crise político-institucional desde o final de Abril, que levou as autoridades de Díli a solicitarem a intervenção de forças policiais e militares de Portugal, Austrália, Nova Zelândia e Malásia.
A violência ocorrida desde então provocou três dezenas de mortos e mais de 145 mil deslocados.
Hoje mesmo, diversas casas e lojas foram queimadas em Díli por grupos d e jovens, antes de milhares de manifestantes que exigiam a demissão de Mari Alkatiri da chefia do governo e a dissolução do Parlamento Nacional terem abandonado a cidade.
A FRETILIN, que tem a maioria no Parlamento (55 dos 88 deputados), anunciou que 30 mil militantes e simpatizantes do partido deverão chegar quinta-feira de manhã a Díli para expressar o seu apoio a Mari Alkatiri.
PNG/EL.
Lusa/Fim
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