Quinta-feira, Junho 22, 2006

Rogério Lobato arrisca pena de 15 anos de prisão

O ex-ministro do Interior de Timor-Leste arrisca uma pena de 15 anos de prisão para os quatro crimes de que é acusado, em que se inclui conspiração e tentativa de revolução, disse o Procurador-Geral da República (PGR) à Lusa.
"Rogério Lobato foi constituído arguido e está a prestar declarações à juíza sobre os quatro crimes de que é acusado: associação criminosa, posse ilegal de armas, conspiração e tentativa de revolução", acrescentou Longuinhos Monteiro à Lusa.
O PGR adiantou que, face à "gravidade das acusações", o Ministério Público pediu ao tribunal que aplicasse a pena de prisão preventiva, que a confirmar-se será cumprida no Estabelecimento Prisional de Bécora, em Díli.
Longuinhos Monteiro disse ainda à Lusa que Rogério Lobato está a prestar declarações com um advogado oficioso, disponibilizado pelo Estado, mas que dois advogados, um de Portugal e outro de Macau, deverão chegar na próxima terça-feira a Díli para passar a representar o ex-ministro do Interior.
O ex-ministro do Interior apresentou-se voluntariamente no tribunal para prestar declarações, no âmbito do processo de averiguações que lhe foi instaurado na passada terça-feira pelo Ministério Público de Timor-Leste.
Rogério Lobato é acusado de ter distribuído armas a grupos de veteranos da resistência e um processo de averiguações.
As principais acusações foram feitas por Vicente da Conceição "Railos", militante da FRETILIN e veterano da luta da resistência, que acusa o primeiro-ministro Mari Alkatiri de ter dado ordens a Rogério Lobato para constituir grupos civis armados com a missão de eliminar adversários políticos do chefe do governo.
Mari Alkatiri já negou por diversas vezes as acusações de que é alvo, considerando que se trata de uma campanha para fragilizar o governo e a FRETILIN para as eleições de 2007.
Rogério Lobato abandonou o governo timorense um dia depois do presidente da República, Xanana Gusmão, ter sugerido ao primeiro- ministro a demissão dos ministros do Interior e da Defesa.
Os dois ministros em causa demitiram-se sendo substituídos por José Ramos Horta, que passou a acumular a pasta de Negócios Estrangeiros com a do Interior, e por Alcino Baris, que passou de vice- ministro para titular da pasta do Defesa, lugar deixado vago por Roque Rodrigues.

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