Sábado, Abril 29, 2006
Não existe uma cultura timorense única e homogénea. Cada uma das várias etnias, distintas mas aparentadas, possui o seu património cultural que sofreu, em maior ou menor grau consoante a localização, uma aculturação com elementos introduzidos pela influência portuguesa. Esta, trazida sobretudo pelos missionários, é mais nítida no aspecto espiritual (religião, língua e arte) que no material.
A literatura vernácula é essencialmente oral, sendo os seus textos conservados de memória pelos lia-na’in (senhores da palavra), geralmente oradores oficiais das cerimónias tradicionais e guardiões dos lúlic. Estes textos revestem duas formas principais: ai-cnanoic (memórias) em prosa ou em verso e ai-cnanânuc (canções) em verso destinadas a ser cantadas.
Na arte popular, a música tradicional é produzida essencialmente por instrumentos de percussão, como os tambores de pele, os gongos de metal, pífaros de cana e o lacadou, espécie de cilindro feito de um troço de bambu, cuja casca cortada por incisões longitudinais fica formando tiras que, esticadas, se dedilham como uma guitarra. Na música aculturada, os instrumentos mais comuns são o violino, muitas vezes de fabrico local, o cavaquinho, o bombo, o tambor e os ferrinhos.
As danças populares mais frequentes são o tebedai, ritmado por tambores em que as mulheres avançam lentamente em linha, circulando, enquanto os homens diante delas executam movimentos ritmados, agitando lenços, e o tebe, em que os participantes formam uma grande roda que se move lentamente sem acompanhamento de instrumentos, cantando ao desafio versos jocosos. Loro-sa’e é uma dança guerreira para celebrar uma vitória a qual, nos seus primórdios, terminava com o corte das cabeças aos prisioneiros inimigos.
Domingo, Abril 23, 2006
Adelino Gomes em Macau para falar do 25 de Abril e de Timor-Leste
O jornalista Adelino Gomes, do diário Púb lico, é o convidado da Casa de Portugal em Macau para falar sobre o 25 de Abril em Portugal e expectativas e desafios que se colocam a Timor-Leste.
Adelino Gomes, que a 25 de Abril de 1974 acompanhou a acção militar jun to a Salgueiro Maia, de quem foi colega no liceu, inicia a 24 de Abril na Escola Portuguesa uma série de sessões sobre o 25 de Abril.
No dia em que forem assinalados os 32 anos da Revolução dos Cravos, Ade lino Gomes profere uma palestra no Consulado Geral de Portugal intitulada "25 de Abril: um jornalista na Revolução".
A 27 de Abril, uma sessão de cinema na sede da Casa de Portugal evoca a lguns dos principais momentos gravados em filme da Revolução dos Capitães e a 28 de Abril, na Pousada de Mong Ha, o jornalista dá a conhecer o seu mais recente livro - "Os Dias Loucos do PREC", editado com José Pedro Castanheira, jornalista do Expresso.
Durante a sua estada em Macau, Adelino Gomes vai ainda falar de Timor-L este, abordando as expectativas e os desafios que o mais recente país do mundo t em pela frente.
Fonte: Agência LUSA
Sábado, Abril 22, 2006
Timor Leste: Proto-História
Apesar de Timor ter feito parte da esfera de influência dos reinos de Kadiri (1049-1222) e Majapahit (1293-1527), a influência da civilização indo-javanesa na ilha é quase imperceptível, subsistindo sinais apenas nas danças da região de Suai, de caracter tipicamente hindu.
A presença dos chineses em Timor, em busca de sândalo, está atestada desde o séc. XV, havendo referências a comerciantes chineses estabelecidos na terra desde o séc. XVIII. A sua influência cultural é irrelevante.
Nos sécs. XV-XVI, o reino muçulmano de Malaca manteve frequentes relações comerciais com Timor mas não conseguiu introduzir o Islão. O malaio, contudo, comunicou às línguas locais numerosos préstamos, tendo influenciado o traje e a culinária das populações litorais, bem como as técnicas de pesca e navegação.
Sexta-feira, Abril 21, 2006
ONU iliba magistrados portugueses das acusações de colonialismo
Proferidas pelo ministro do Interior timorenseTimor-Leste
Os três magistrados portugueses que na semana passada foram acusados de "colonialismo" pelo ministro do Interior de Timor-Leste foram hoje "completamente ilibados" dessa acusação pelas Nações Unidas.
O anúncio foi feito em conferência de imprensa pelo representante especial do secretário-geral da ONU em Timor-Leste, Sukehiro Hasegawa.
O responsável salientou que o inquérito realizado na sequência das acusações do ministro Rogério Lobato "revelou que em nenhuma situação se identificaram atitudes colonialistas, nem foi detectada prova de mau comportamento, ou sequer de abandono dos deveres ou ausência do trabalho".
Também o primeiro-ministro, Mari Alkatiri, destacou a importância do trabalho dos procuradores portugueses: "Reconheço que há trabalho feito na procuradoria desde que ali começaram a trabalhar os procuradores portugueses", afirmou.
Quanto às acusações do ministro Rogério Lobato, o chefe do Governo timorense frisou que "uma coisa é ter acontecido a ausência dos procuradores portugueses, devidamente autorizados; outra coisa é a negligência ou pior e considerar que são atitudes colonialistas".
"Tenho conhecimento de algumas situações na Procuradoria-Geral da República em que procuradores timorenses e estrangeiros têm tido algumas contradições, mas reconheço que há trabalho feito desde que ali começaram a trabalhar os procuradores portugueses", frisou Mari Alkatiri.
Satisfeito com as conclusões de Sukehiro Hasegawa, o primeiro-ministro timorense vincou que não se deve fazer generalizações a partir de casos isolados.
No passado dia 13, em conferência de imprensa, o ministro Rogério Lobato - que tinha ao seu lado o procurador-geral da república, Longuinhos Monteiro -, acusou os magistrados João Carreira (procurador-geral adjunto da república), Luís Mota Carmo (procurador da república no dDistrito de Díli e coordenador no distrito de Oecussi) e Sandra Pontes (procuradora da república em Díli e coordenadora no distrito do Suai) de reiteradas faltas ao trabalho, de provocarem mau relacionamento com os seus homólogos timorenses e de preferirem viajar em vez de trabalhar nos casos que lhes estão distribuídos nos tribunais.
"Eles vêm para Timor para ganhar muito dinheiro para passarem férias ou para trabalhar? Isso é o que eu pergunto", questionou o ministro do Interior timorense.
Na mesma ocasião, Rogério Lobato aproveitou a presença de Longuinhos Monteiro para lhe solicitar que "controle a sua gente", especialmente os procuradores.
Na resposta, Longuinhos Monteiro confirmou que alguns magistrados do Ministério Público estavam de férias, ao que Rogério Lobato replicou reafirmando a necessidade de o PGR indagar junto dos juristas internacionais quais deles pretendem continuar a trabalhar em Timor-Leste. A alternativa, apontou, seria regressar aos seus países.
Magistrados portugueses foram autorizados a sair do país
No próprio dia das acusações do ministro timorense, uma fonte da ONU garantiu à agência Lusa que os três magistrados portugueses em causa estavam "devida e superiormente" autorizados a ausentarem-se do país.A mesma fonte acrescentou que o próprio procurador-geral, Longuinhos Monteiro, assinou a autorização para a ausência dos magistrados, e mostrou estranheza pelo facto de o responsável não ter aproveitado a conferência de imprensa do ministro do Interior para esclarecer que tinha autorizado os magistrados a viajar, numa deslocação enquadrada pelos contratos de trabalho dos procuradores ao serviço das Nações Unidas e também avalizada pela UNOTIL, a actual missão da ONU em Timor- Leste.A deslocação foi autorizada por se encontrarem em Timor-Leste procuradores internacionais e nacionais habilitados a substituir os ausentes.
Críticas aos magistrados portugueses não começaram na semana passada
Esta não foi a primeira vez que os magistrados portugueses foram criticados por viajarem para fora do país.
Da primeira vez, em Março, a alegação foi semelhante à actual, mas o resultado foi a repreensão dos funcionários judiciais que, infundadamente, tinham denunciado a ausência dos magistrados, os quais, tal como agora, estavam devidamente autorizados a viajar e tinham outros procuradores credenciados para os substituir.
Portugal é um dos principais financiadores do sector da Justiça em Timor-Leste, através da participação no Programa Fortalecimento do Sistema da Justiça.
Este programa teve um orçamento de três milhões de dólares no triénio 2003/2005, período em que o financiamento de Portugal ascendeu a 1,2 milhões de dólares.
Já este ano, após a revisão do programa, válido até 2008, o orçamento global é de dez milhões de dólares e o envolvimento de Portugal é de três milhões de dólares.
Terça-feira, Abril 18, 2006
Ministro do Interior chamou «colonialistas» a magistrados portugueses
Timor: juízes portugueses insultados por ministro
Três magistrados portugueses em comissão eventual de serviço em Timor-Leste ao serviço das Nações Unidas apresentaram segunda-feira a demissão, depois de terem sido apodados de «colonialistas» pelo ministro do Interior, disse hoje fonte da ONU à Lusa.
O pedido de demissão foi apresentado directamente, segunda- feira, ao representante do secretário-geral da ONU em Timor-Leste, Sukehiro Hasegawa.
A fonte contactada pela Lusa acrescentou que Sukehiro Hasegawa pediu aos três magistrados portugueses, João Carreira, Luís Mota Carmo e Sandra Pontes, que suspendessem o pedido de demissão até sexta-feira, enquanto decorre um inquérito sobre as circunstâncias invocadas quinta-feira passada, em conferência de imprensa, pelo ministro do Interior, Rogério Lobato.
João Carreira exerce actualmente o cargo de Procurador-Geral Adjunto da República, Luís Mota Carmo o de Procurador da República no Distrito de Díli e coordenador no distrito de Oecussi, e Sandra Pontes o de Procuradora da República em Díli e coordenadora no distrito do Suai.
De acordo com os relatos da imprensa timorense, Rogério Lobato criticou na conferência de imprensa as reiteradas faltas ao trabalho dos magistrados, que acusou de preferirem viajar em vez de trabalharem nos casos que lhes estão distribuídos nos tribunais.
«Eles vêm para Timor para ganhar muito dinheiro para passarem férias ou para trabalhar? Isso é o que eu pergunto», vincou.
O ministro Rogério Lobato, que considerou o comportamento daqueles magistrados «colonialista» e que tinha ao seu lado o Procurador-Geral da República, Longuinhos Monteiro, aproveitou para solicitar a este que «controle a sua gente», especialmente os procuradores.
Na resposta, Longuinhos Monteiro confirmou que alguns magistrados do Ministério Público estavam de férias, ao que Rogério Lobato reafirmou a necessidade de o PGR indagar junto dos juristas internacionais os que pretendem continuar a trabalhar em Timor-Leste.
A alternativa, apontou, é regressarem aos seus países.
A fonte contactada pela Lusa salientou a estranheza por Longuinhos Monteiro não ter aproveitado a ocasião para esclarecer que tinha sido o próprio PGR a autorizar os magistrados a viajarem, numa deslocação enquadrada pelos contratos de trabalho dos procuradores ao serviço das Nações Unidas e também avalizada pela UNOTIL, a actual missão da ONU em Timor-Leste.
A deslocação foi autorizada por se encontrarem em Timor-Leste procuradores internacionais e nacionais habilitados a substituir os ausentes.
Segunda-feira, Abril 17, 2006
Timor-Leste recorda vítimas do massacre
Mais de 100 pessoas morreram no ataque das milícias timorenses e militares indonésios
As vítimas do massacre de 17 de Abril de 1999 em Díli foram hoje homenageadas na capital timorense, numa acção organizada por sobreviventes e familiares e em que a política de reconciliação com Jacarta foi uma vez mais questionada.
O massacre, perpetrado por milícias timorenses, enquadradas por forças de segurança e militares indonésias, ocorreu na casa de Manuel Carrascalão, dirigente histórico da resistência de Timor-Leste aos 24 anos de ocupação.
Na acção de hoje, dezenas de sobreviventes e familiares do massacre acentuaram a necessidade de ser feita justiça para que haja paz («La iha justica, la iha dame», em tétum) e questionaram a política de reconciliação encetada pelas autoridades de Timor-Leste.
Manuel Carrascalão, crítico quanto à política de reconciliação definida pela liderança timorense, disse à Agência Lusa que «muitos outros pensam como ele, mas não falam porque têm medo».
De acordo com o relatório elaborado pela Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação (CAVR), que contém as violações dos direitos humanos perpetradas em Timor-leste entre 1974 e 1999, a 17 de Abril de 1999, na sequência da realização de um comício pró- indonésio, defronte do Palácio do Governador, o timorense Eurico Guterres incitou os manifestantes a matarem os apoiantes da independência.
«Imediatamente a seguir ao comício, membros da milícia (Aitarak, liderada por Eurico Guterres) dirigiram-se para a casa do proeminente dirigente pró-independência Manuel Carrascalão, onde aproximadamente 150 pessoas estavam refugiadas. Aí mataram pelo menos 12 civis desarmados», refere o documento.
Entre as vítimas mortais identificadas figurou Manelito, de 17 anos, filho de Manuel Carrascalão.
Eurico Guterres, reconhecidamente um dos principais instigadores do massacre e de outras acções de terror e violência contra partidários da independência, viria a ser condenado a 10 anos de prisão em Novembro de 2002, e a sentença foi confirmada pelo Supremo Tribunal de Justiça da Indonésia em Março passado.
Mas a protecção de que goza entre a hierarquia militar indonésia tem-lhe conferido manter-se fora de grades, com total impunidade e completa liberdade de movimentos.
Nas declarações que hoje fez à Lusa, Manuel Carrascalão classificou o julgamento de Guterres uma «fantochada» e salientou a sua completa desconfiança no sistema judicial indonésio.
Maria Cristiana, filha de Manuel Carrascalão e uma das organizadoras da homenagem às vítimas do massacre, denunciou igualmente o processo judicial indonésio, e salientou que «há sete longos anos que esperamos que se faça justiça. Mas é apenas a injustiça que continua».
Das cerca de 150 pessoas que estavam refugiadas na casa, apenas sobreviveram 45 e 12 corpos foram posteriormente devolvidos pelos militares indonésios.
«Desconhecemos onde estão os outros. Desapareceram e até hoje não sabemos o seu paradeiro», vincou Maria Cristiana.
Também em declarações à Lusa, João Carrascalão, tio de Manelito, propôs a criação de uma associação de vítimas e sobreviventes da violência perpetrada pelos indonésios.
Relativamente à política de reconciliação encetada por Díli, que juntamente com Jacarta criou em 2005 a Comissão de Verdade e Amizade, João Carrascalão frisou «não estar de forma nenhuma de acordo que, em nome da boa vizinhança, se esqueça a Justiça».
«Não concordo que se pactue com indivíduos que são culpados do drama humano que se viveu em Timor-Leste», concluiu.
No final da homenagem, os organizadores distribuíram um comunicado em que declaram apoiar as recomendações da Comissão de Peritos das Nações Unidas, que aconselham a criação de uma comissão independente de recolha de dados, o início de novas investigações e a criação de um tribunal independente para julgar a violação dos direitos humanos em Timor-Leste.
Domingo, Abril 16, 2006
Um Pouco da História da Páscoa
A Páscoa sempre representou a passagem de um tempo de trevas para outro de luzes, isto muito antes de ser considerada uma das principais festas da cristandade. A palavra "páscoa" - do hebreu "peschad", em grego "paskha" e latim "pache" - significa "passagem", uma transição anunciada pelo equinócio de primavera.
Para entender o significado da Páscoa cristã, é necessário voltar à Idade Média e lembrar que os antigos povos pagãos europeus, nesta época do ano, homenageavam Ostera, ou Easter, em inglês, derivada de Eostre, deusa anglo-saxã do amanhecer. Ostera (ou Ostara) é a Deusa da Primavera, que segura um ovo em sua mão e observa um coelho, símbolo da fertilidade, pulando alegremente em redor de seus pés nus. A deusa e o ovo que carrega são símbolos da chegada de uma nova vida. Ostara equivale, na mitologia grega, a Persephone. Na mitologia romana, é Ceres. Os antigos povos pagãos comemoravam a chegada da primavera decorando ovos. O próprio costume de decorá-los para dar de presente na Páscoa surgiu na Inglaterra, no século X, durante o reinado de Eduardo I (900-924), o qual tinha o hábito de banhar ovos em ouro e ofertá-los para os seus amigos e aliados.
Em hebraico, temos a "Pessach", a chamada "Páscoa Judaica", que se originou quando os hebreus, há cerca de 3 mil anos, celebraram o êxodo e libertação do seu povo, após 400 anos de cativeiro no Egito, pela mão de Moisés. Comemoravam assim a passagem da escravidão para a libertação: saíram do solo egípcio, ficaram 40 anos no deserto até chegar à região da Palestina, terra prometida, atualmente chamada de Israel. A festa da Páscoa passou a ser uma festa cristã após a última ceia de Jesus com os apóstolos, na quinta-feira santa. Os fiéis cristãos celebram a ressurreição de Cristo e sua elevação ao céu. As imagens deste momento são a morte de Jesus na cruz e a sua aparição. A celebração sempre começa na quarta-feira de cinzas e termina no domingo de Páscoa: é a chamada semana santa. A data cristã foi fixada durante o Concílio de Nicea, em 325 d.C, como sendo "o primeiro domingo após a primeira Lua Cheia que ocorre após ou no equinócio da primavera boreal".
Sábado, Abril 15, 2006
Timor Leste: História Religiosa
Antes da chegada dos portugueses, os timorenses eram animistas, sem influências hindus ou muçulmanas. Marômac, que em tétum significa "o brilhante", é a designação para Deus. O culto dos timorenses dirige-se aos espíritos de antepassados e a objectos sagrados (lúlic), considerados portadores de poderes sobrenaturais e geralmente conservados nas uma-lúlic, as casas sagradas. O culto consiste em sacrifícios, denominados estilos, nos quais em regra é consumida a carne das vítimas dos estilos - búfalos, porcos, etc. Dos vários estilos realça, pela sua grandeza, o do funeral (hacoi-mate) destinado a alimentar a alma do morto.
O Cristianismo surge em Timor na segunda metade do séc. XVI, principalmente com a evangelização feita pelos dominicanos sediados em Solor desde 1562. A primeira igreja conhecida em Timor data de 1590, no reino de Mena, perto do Oe-Cusse. As missões em Solor e Timor passaram por várias crises de missionários principalmente com a decadência das missões dominicanas (meados do séc. XVIII) e com a extinção das ordens religiosas em 1834. Pela Concordata de 1886, é extinto o bispado de Malaca, de que Timor dependia.
O grande restaurador das missões em Timor foi o Pe. A. J. de Medeiros, eleito bispo de Macau em 1885, que passou a maior parte do tempo em Timor aonde veio a morrer em 1897. Em 1898 os jesuítas criam o Colégio de Soibada, escola que veio a formar a maior parte da elite cultural timorense. D. Jaime Garcia Goulart, o primeiro bispo nomeado para Timor (1945), fundou em 1936 o Seminário de Soibada, que veio a ser transferido em 1954 para Dare (ao pé de Díli).
Árabes oriundos do Hadramaut e mouros timorenses formam uma muito pequena comunidade muçulmana de rito xafeíta. Os chineses, numerosos desde o séc. XVIII, seguem uma mistura de confucionismo, budismo e tauismo e alguns o catolicismo.
Sábado, Abril 08, 2006
Timor Leste: Pré-História
"Certos achados parecem provar que Timor foi povoado desde o Paleolítico por espécies anteriores ao Homo sapiens e que este só apareceu na ilha no Mesolítico. Datam provavelmente deste período as pinturas rupestres da região de Tutuala, de caracter mágico e simbólico como as suas contemporâneas do Norte da Austrália, Nova Guiné e várias ilhas da Indonésia Oriental.
Será igualmente deste período (c. 7000 a. C.) o mais antigo dos 4 estratos rácicos que subsistem mesclados na actual população timorense: o tipo vedo-australóide, de traços semelhantes aos dos aborígenes australianos e aos dos Vedás de Ceilão, que Mendes Correia identificou em 10 a 15 por cento dos timorenses que observou.
Outros 7 a 8 por cento dos timorenses parece resultarem da migração da raça papua-melanésia (c. 3500 a. C.), de caracteres negróides mas sem parentesco com os negros de África, portadores da chamada civilização do machado oval. A esta migração devem remontar pelo menos 5 das línguas de Timor - Fataluco, Macalere, Macassai, Mídic e Búnac.
Os traços fundamentais da actual cultura timorense devem remontar à difusão da civilização do machado quadrangular, neolítica mais adiantada (c. 2500 a. C.), com a cultura de cereais, domesticação do búfalo, a olaria, a cestaria e a tecelagem. A construção de casas sobre estacas e o uso de almadia com balanceiro são os traços mais típicos dessa civilização que se encontram em Timor. Terá sido difundida pela migração da raça protomalaia, de características parcialmente europóides, que em Timor ocorre em cerca de 60 por cento dos habitantes, e à qual remontarão as restantes línguas timorenses, todas pertencentes ao grupo das austronésias ou malaio-polinésicas.
Cerca de 20 por cento dos habitantes timorenses é de raça deutero-malaio, raça originada pela fusão de populações mongolóides com os proto-malaios."
Sexta-feira, Abril 07, 2006
Portugal destaca-se com Principal Doador de Timor Leste
Portugal destacou-se como principal doador a Timor Leste, concedendendo desde 1999 um total de US $361.8 milhões de dólares, de acordo com fontes oficiais do Governo de Timor Leste. Os documentos, conhecidos por registos de ajuda externa, foram preparados pelo Ministério do Planeamento e Finanças de Timor Leste para a conferência dos Parceiros Internacionais para o Desenvolvimento que terminou na passada Quinta Feira, em Dili. Os documentos mostram que Timor Leste recebeu desde 1999 um total de US $1.879 biliões de dólares, na forma de projectos financeiros de desenvolvimento e doações. Os documentos preparados e actualizados anualmente pela autoridades Timorenses, mostram ainda que, a Austrália é o segundo maior Doador Internacional , e que doou US $247.8 milhões de dólares.
A União Europeia é o terceiro maior contribuinte com US $241.2 milhões de dólares , seguido pelo Japão com US $219.5 milhões de dólares.
Em termos de cooperação com Portugal, a educação e suporte para a re-introdução do Português como língua materna, as capacidades institucionais e bom governo , assim como o suporte para o desenvolvimento económico e social são os principais destaques do Plano Anual de cooperação (PAC) para este ano, acordo de cooperação assinado em Janeiro.
Quinta-feira, Abril 06, 2006
Reunião de Doadores
Terminou na 3ª feira passada a Reunião de Doadores Internacionais, com o compromisso de desenvolvimento de Timor Leste. O Primeiro Ministro Mari Alkatiri disse que os parceiros doadores elogiaram o seu governo e realçaram o estabelecimento de um mecanismo de execução do orçamento de estado que beneficiará o desenvolvimento. Alkatiri reforçou que o papel de aconselhamento continua a ser importante e Timor Leste continua a requerer assistência técnica para acelerar o trabalho. “Os parceiros doadores concordaram que o Governo alcançou muitos objectivos de acordo com o plano estratégico nacional de desenvolvimento, e também concordaram com os novos planos para combater a pobreza.”, disse ainda o 1º Ministro Mari Alkatiri. O Primeiro ministro sublinhou que que o Governo está realmente interessado em resolver o problema da pobreza da população o mais cedo possível de modo a avançar para uma segunda fase de desenvolvimento.
Entretanto, o director do Banco Mundial para os Países, Xhun Xian afirmou que Timor Leste alcançou bastantes progressos no sector privado e o Banco Mundial coninuará a assistir o Governo em programas de redução da pobreza e desenvolvimento de infraestruturas. O Banco Mundial elogiou os planos do Governo para aumentar o orçamento do Gabinete do Procurador Geral e dos Serviços de Comunicação Públicos como cruciais para uma boa governação.
Quarta-feira, Abril 05, 2006
2900 Estudantes irão receber Bolsas
O Ministro do Trabalho e Solidariedasde, Arsénio Bano, afirmou que vão ser atribuídas Bolsas escolares a 2900 estudantes. As Bolsas escolares serão dadas a estudantes que obtenham notas altas nos seus estudos do ensino pré-secundário ao universário. As Bolsas serão também atribuídas aos estudantes orfãos. Arsénio Bano explicou ainda que os fundos no valor de 240 mil dólares americanos (US $240000) são provenientes do Gabinete do Primeiro Ministro para ajudar os estudantes com problemas financeiros.
Terça-feira, Abril 04, 2006
Comissão B investiga a pedido do Parlamento Nacional
A pedido do Parlamento Nacional de Timor Leste a Comissão B vai averiguar o caso das Falintil - Forças de Defesa de Timor Leste, de modo a que a situação possa ser clarificada, e que assim se ponha termo à inquietação crescente na comunidade. A Comissão B acabou de apresentar o seu relatório das recentes visitas aos distritos de Baucau, Los Palos e Suai, onde consta que, de forma a aumentar a estabilidade no país é necessário que se criem condições para que a segurança seja garantida. Em particular, é recomendado que os Ministérios competetentes centrem as suas atenções nas necessidades de equipamento da Polícia Fronteiriça. Entretanto foram libertados nove elementos das "F-FDTL" que se encontravam presos desde a semana passada, acusados de assaltos a casas na região de Tasi Tolo, uma vez que não existiam provas do seu envolvimento nos assaltos.
Segunda-feira, Abril 03, 2006
Reunião de Timor Leste com os Parceiros de Desenvolvimento
O Governo da República Democrática de Timor Leste e o Banco Mundial organizam em conjunto a Reunião de Timor Leste com os Parceiros de Desenvolvimento, que decorrerá nos dias 3 e 4 de Abril de 2006, em Dili. O tema principal da reunião será "Combater a Pobreza como causa Nacional". Na agenda da reunião encontram-se ainda incluídos os seguintes tópicos "A Economia de Timor Leste: Perspectivas e Desenvolvimento" e "O Futuro para a Capacidade de Desenvolvimeto de Timor Leste".
Domingo, Abril 02, 2006
Timor Leste: Visão para 2020
O povo de Timor Leste reuniu uma visão para o país que servirá de guia a todos os programas de assistência e estratégias de desenvolvimento. O plano Nacional de Desenvolvimento é baseado na seguinte visão:
Timor Leste será um país democrático com uma vibrante cultura tradiocional e ambiente sustentável;
Será uma sociedade próspera com alimentação, abrigo e vestuário para todas as pessoas;
As comunidades viverão em segurança, e sem discriminação. Serão liberais, conhecedoras e educadas. Serão saudáveis, e terão uma longa vida produtiva. Participarão activamente no desenvolvimento económico, social e político, proverão a equidade social e nacional;
As pessoas não estarão isoladas, porque haverá estradas, transportes, electricidade e comunicações em todas as cidades, vilas e regiões do país;
A produtividade e emprego irão crescer em todos os sectores - agricultura, pesca e florestas;
Os níveis de vida e serviços serão melhores para todos os timorenses, e os impostos serão igualmente distribuídos;
Os preços serão estáveis, e os fornecimentos de comida seguros, baseados em uma gestão e utilização sustentável dos recursos naturais;
A economia e finanças do estado serão governadas com eficiência, transparência e livres de corrupção;
O estado será sustentado pelo cumprimento da lei. Governo, Sector Privado, Sociedade Civil e os Líders da Comunidade serão totalmente responsáveis por aqueles que os escolheram ou os elegeram.
Sábado, Abril 01, 2006
GNR vai treinar PNTL
Alcino Barros, Vice Ministro do Interior de Timor Leste, informou que a Guarda Nacional Republicana de Portugal vai treinar a Polícia Nacional de Timor Leste.
O Ministro timorense pediu ao Ministro da Administração Interna português para enviar militares da GNR para dar formação aos polícias timorenses, de forma a dotar a força policial timorense de capacidades que lhe permitam controlar os problemas relacionados com a Polícia Especial na fronteira timorense.
Alcino Barros após presenciar a primeira cerimónia de formação de Processo de Código Penal na Academia de Polícia de Comoro, disse aos jornalistas presentes que o equipamento e material de treino já chegou ao território timorense.

