Quarta-feira, Maio 31, 2006
Lisboa, 31 Mai (Lusa) - A crise política em Timor-Leste conheceu hoje mais um impasse com o adiamento de uma reunião sobre defesa e segurança devido a um "braço de ferro" entre presidente e primeiro-ministro, quando parecia ter diminuído a violência em Díli.
Após uma noite mais calma do que tem sido habitual nos últimos dias, a reunião do Conselho Superior de Defesa e Segurança (CSDS) não se realizou por divergências quanto à participação dos ministros Roque Rodrigues (Defesa) e Rogério Lobato (Interior), cuja demissão foi pedida terça-feira pelo presidente Xanana Gusmão.
"Há um 'braço de ferro' entre o presidente e o primeiro- ministro, porque Xanana Gusmão quer que os dois ministros (Ó) sejam exonerados antes e não participem na reunião" do CSDS, disse a fonte governamental.
Contactado telefonicamente pela Lusa, o primeiro-ministro Mari Alkatiri esclareceu que se trata de "condições novas", porque no Conselho de Estado de segunda e terça-feira, "nunca houve esta exigência de demissões antes da reunião do CSDS".
Alkatiri garantiu que não pretende "criar quaisquer obstáculos ou dificuldades", mas reafirmou que a exoneração de ministros "é da competência do primeiro-ministro".
Fonte da presidência escusou-se a comentar estas declarações.
O primeiro-ministro timorense anunciou ainda ter convocado para quinta-feira uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros, mas escusou-se a precisar se demitirá Roque Rodrigues e Rogério Lobato, como pretende o Presidente da República.
Mari Alkatiri reiterou que continua à frente do Governo e que não tenciona demitir-se, excepto se o seu partido assim o exigir.
Em Camberra, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Alexander Downer, apelou para a "reconciliação política" dos líderes timorenses, sublinhando que só assim será possível resolver a actual crise em Timor-Leste.
"A reconciliação política vai ser obviamente a chave para a resolução da actual crise e para garantir um futuro estável para Timor- Leste", disse Alexander Downer, cujo executivo criticou na semana passada a governação timorense.
Num âmbito multilateral, Portugal e os outros 14 países e instituições que dão ajuda a Timor-Leste subscreveram hoje um comunicado conjunto apelando para o fim da violência e exortando "todos os envolvidos a aproveitarem a oportunidade de diálogo entre eles e com a população para encontrarem uma solução pacífica".
Também o papa Bento XVI lançou hoje um apelo para a pacificação e o regresso à normalidade em Timor-Leste e pediu à Igreja Católica que ajude os milhares de deslocados no país.
No terreno, a situação está hoje claramente mais calma, embora se tenha registado um ataque de cerca de 50 civis armados ao mercado de Comoro, em Díli, que fez pelo menos um ferido, a par de algumas pilhagens, que têm sido frequentes nos últimos dias.
Vendedores do mercado de Comoro disseram à Lusa que os atacantes, armados de duas pistolas e armadas tradicionais, incendiaram seis casas e uma dezena de bancas de venda e roubaram diversas motas.
Efectivos das forças australianas deslocaram-se ao local mas os atacantes conseguiram fugir.
Noutro incidente, ocorrido ao princípio da manhã, três pequenas mercearias foram pilhadas e incendiadas no bairro de Bécora, na capital, obrigando à intervenção de militares australianos que fizeram "algumas detenções" e restauraram a ordem no local.
Algumas casas de Comoro e Bécora continuavam hoje a arder, embora se trate de incêndios ateados na terça-feira, mas o clima nas ruas de Díli ao longo do dia foi claramente menos tenso, com alguns mercados a abrirem as portas, mais trânsito e crianças a venderem hortaliças nas ruas.
As Nações Unidas estimaram hoje em 70.000 o número de deslocados que fugiram da violência e estão a viver em campos de acolhimento improvisados, onde falta água, comida e ordem.
"Desenrascamo-nos para encontrar comida e água, mas normalmente acabamos por comer massas instantâneas. Vamos a pé buscar arroz aos centros de distribuição e compramos comida quando encontramos alguma loja aberta. Mas com os conflitos, o dinheiro já falta, porque não há trabalho", relatou à Lusa Micató Ribeiro, uma dentista de 30 anos instalada com a família sob um lençol de plástico amarelo a que chama "tenda" na estrada para o aeroporto de Díli.
PNG/MDR.
Lusa/fim
Terça-feira, Maio 30, 2006
Saqueados edifícios do Ministério Justiça e Procuradoria-Geral em Timor-Leste
Os gabinetes do Ministério da Justiça, da Procuradoria-Geral e da Direcção de Terras e Propriedades de Timor-Leste foram hoje alvo de saques e roubos, disse à Lusa o vice-ministro da Justiça timorense, Manuel Abrantes.
"É muito triste. Isto vai destruir anos de trabalho. Estamos a voltar à estaca zero", afirmou Manuel Abrantes, admitindo que, para já, é impossível confirmar os danos e determinar se os saques envolvem apenas equipamento e material.
"Para quem teve tanto ânimo, passou os momentos tão difíceis de começar este processo, ver isto assim é totalmente desmoralizador", disse Manuel Abrantes, contactado telefonicamente em Díli.
Um grupo de civis armados com catanas e outras armas brancas destruiu janelas e portas no edifício da Procuradoria-Geral e entrou no gabinete da Unidade de Crimes Graves, responsável pelas investigações de crimes cometidos em 1999.
Desconhece-se, para já, se os atacantes - empenhados no roubo de equipamento e material de escritório - terão ou não destruído ou roubado alguma da documentação associada ao período antes e depois do referendo de 1999 - em que morreram cerca de 1.500 timorenses.
Ainda assim, os documentos do processo foram deitados ao chão durante o ataque, que ocorreu na manhã de hoje (hora local) e que alguns funcionários timorenses no local tentaram, sem sucesso, impedir.
"Estava cheio de medo. Ainda tentei travar o ataque, mas não fui capaz", disse aos jornalistas Abílio Reis, funcionário da Procuradoria-Geral, explicando que os seguranças das Nações Unidas que estavam no local fugiram.
Manuel Abrantes admitiu à Lusa que ele próprio ainda não pode confirmar a situação nos locais dos saques.
"Não posso dizer o grau do impacto no futuro. Pode ser que se estejam a ficar pelos saques e vandalismo, mas há computadores e equipamento de escritório roubado e isso vai demorar a substituir", admitiu.
"A insegurança não me permite verificar tudo. Há receio de que possamos ser apanhados na confusão e nesta falta de lei e ordem que domina a cidade", frisou.
Amândio Benevides, provedor-adjunto de Direitos Humanos e Justiça, também contactado telefonicamente pela Lusa, lamentou os roubos e manifestou preocupação "pelo estado dos documentos".
Um funcionário do Ministério da Justiça timorense disse à Lusa que os indivíduos que atacaram o edifício, situado perto da Universidade de Díli, roubaram equipamento informático e material de escritório.
Os saques aos edifícios públicos confirmam o agravamento da situação de lei e ordem na capital timorense, onde hoje voltaram a verificar-se confrontos, roubos e saques em várias zonas da cidade, com mais casas e outros edifícios incendiados.
A segurança na capital tem vindo a melhorar em algumas zonas devido ao destacamento no terreno de militares australianos, que na segunda-feira viram ampliados os seus poderes para deter os indivíduos envolvidos na violência.
Timor-Leste vive os seus piores momentos de tensão, instabilidade e violência desde que se tornou independente, há quatro anos, na sequencia da eclosão, há mais de um mês, de uma crise político-militar que tem sido marcada por divisões no seio das Forças Armadas e da Polícia Nacional, e pelo mal-estar entre o Presidente da República, Xanana Gusmão, e o chefe do governo, Mari Alkatiri.
Vários dias de confrontos, principalmente em Díli e arredores, de militares contra militares, e entre estes e elementos do corpo da Polícia Nacional, envolvendo populares, provocaram já vários mortos e feridos e criaram uma situação de instabilidade e insegurança generalizadas no país.
Nos últimos dias, grupos de civis armados têm vindo a conduzir saques, roubos e uma campanha de destruição de propriedade privada e pública em vários pontos da cidade.
Face à deterioração da segurança no país, as autoridades timorenses solicitaram ajuda militar e policial à Austrália, Nova Zelândia, Malásia e Portugal para repor a ordem.
Agência LUSA
Segunda-feira, Maio 29, 2006
Crise em Timor-Leste deve-se a divergências Xanana-Alkatiri
A primeira-ministra da Nova Zelândia considerou hoje que a crise política em Timor-Leste é consequência de divergências entre o presidente timorense, Xanana Gusmão, e o chefe do governo, Mari Alkatiri.
Helen Clark disse à TV da Nova Zelândia que a actual crise política tem também origem nas tensões existentes entre Alkatiri e Xanana Gusmão e dentro da própria Fretilin (no poder).
"Até recentemente as Nações Unidas consideravam Timor-Leste como uma história de sucesso, mas está provado que se trata de uma democracia muito frágil", disse ainda Helen Clark.
A chefe do governo neozelandês escusou-se a comentar se achava correcto que o primeiro-ministro Mari Alkatiri abandonasse o cargo.
"Trata-se de uma falha de liderança política de dimensões consideráveis (Ó). Ocorreu uma crise política que se tornou incontrolável, perdendo-se o controlo do exército e da polícia numa demonstração de falta de liderança", acrescentou.
Helen Clark considerou igualmente que as tropas australianas e neozelandesas deram uma resposta muito rápida ao pedido de intervenção em Timor-Leste.
A primeira-ministra admitiu que os efectivos militares dos dois países deverão permanecer em Timor-Leste, pelo menos, até às eleições de Timor-Leste marcadas para 2007.
A Nova Zelândia já tem 40 militares em Timor-Leste devendo esse número subir para 160 nos próximos dias.
Uma companhia das forças armadas da Nova Zelândia está a ultimar os preparativos em Townsville para seguir para Timor-Leste.
Além da Nova Zelândia, as autoridades timorenses também pediram ajuda a Portugal e à Malásia para contribuírem com forças militarizadas para restabelecer a ordem em Timor-Leste.
Agência LUSA
Domingo, Maio 28, 2006
ONU pede a Portugal que garanta segurança do chefe missão em Díli
As Nações Unidas pediram hoje a Portugal que assegure a segurança do chefe da Missão da ONU em Timor-Leste, disse hoje à Lusa fonte do Ministério da Administração Interna.
"A ONU pediu hoje a Portugal para que, através dos Grupo de Operações Especiais (GOE), assegure a segurança pessoal do chefe da Missão das Nações Unidas em Timor-Leste", afirmou Duarte Moral, porta-voz do ministro da Administração Interna, António Costa.
O governo português já acedeu ao pedido e dois elementos do contingente dos GOE actualmente em Díli vão passar a servir de guarda-costas de Sukehiro Hasegawa, o japonês que lidera o Gabinete das Nações Unidas em Timor-Leste (UNOTIL).
Este pedido surge no dia em que o número de elementos dos GOE deslocados em Timor-Leste aumentou para 16, com a chegada hoje de mais oito homens.
Seis dos GOE são responsáveis pela segurança da embaixada portuguesa em Timor-Leste, e os outros oito, hoje chegados a Díli, vão estar divididos em equipas de quatro para patrulhar os dois bairros da capital timorense onde residem cooperantes portugueses, precisamente chamados de bairros da Cooperação.
Agência LUSA
Ministro timorense dos Negócios Estrangeiros reconhece que Timor-Leste vive uma crise de liderança política
O ministro timorense dos Negócios Estrangeiros reconhece que Timor-Leste vive uma crise de liderança política, mas, em declarações à RR, recusa falar numa eventual demissão do Governo.
As esperanças para uma resolução da situação em Timor-Leste recaem sobre os encontros marcados para amanhã, do Conselho de Estado e do Conselho Superior de Defesa e Segurança, que se reúnem com carácter de urgência.
"Obviamente, que há uma crise na liderança e temos tentado manter alguma coesão entre as instituições do Estado", afirmou Ramos Horta à jornalista Dora Pires. Daí, disse, a importância destas reuniões, das quais "depois veremos que decisões vão sair".
E quando a uma eventual demissão do Governo? "Num momento delicado como este, prefiro não responder a essas perguntas. Não sou chefe de Estado nem intérprete da Constituição. Sou um simples servidor do Estado e do povo", respondeu.
Além daqueles encontros decisivos, está prevista para amanhã uma comunicação do Presidente timorense, Xanana Gusmão, ao país.
Enquanto isso, no terreno, os confrontos das últimas horas provocaram 12 feridos, todos conduzidos ao hospital da capital.
Segundo as Nações Unidas, há milhares de refugiados - são 27 mil as pessoas em fuga, devido a instabilidade de que se vive em Timor.
O Padre Domingos Soares, da diocese de Díli, dá conta de que o povo critica a actuação das tropas australianas.
"A situação está muito muito complicada. Não sabemos para onde encostar nem que missão têm as forças internacionais. Por isso, há uma grande confusão", relata, adiantando que "a cidade toda está alarmada", havendo boatos de todos os lados.
"Os militares internacionais assistem a tudo isto pacificamente", acrescenta.
Apesar de tudo, hoje realizaram-se missas em várias paróquias, como habitualmente e também nos locais onde há refugiados.
Sábado, Maio 27, 2006
A visão da ONU
A Alto Comissário para os Direitos Humanos das Nações Unidas considera que Timor-Leste é um exemplo da falta de apoio internacional que os países pós-conflitos enfrentam.
Durante uma visita à Guatemala, Louise Arbour considera que cenários como o de jovens timorenses armados e a lançar o pânico na capital, podem levar o país ao caos.
As Nações Unidas criaram em Dezembro uma comissão para ajudar na reconstrução de países que enfrentam guerras.
Timor-Leste é um dos que mais necessita dessa ajuda, alerta a Alta Comissária da ONU.
Xanana Gusmão fala na segunda-feira à Nação
O Presidente timorense vai dirigir-se segunda-feira à Nação, depois das reuniões do Conselho de Estado e do Conselho Superior de Defesa e Segurança, de acordo com o seu porta-voz.
A reunião do Conselho de Estado começará às 10h00 (2h00 de domingo em Lisboa) e a do Conselho Superior de Defesa e Segurança às 15h00 (7h00 em Lisboa), avançou Ágio Pereira.
O porta-voz assegurou que "a comunicação ao país será logo a seguir", afirmou, escusando-se a antecipar o teor da mensagem de Xanana Gusmão ao país.
Segundo o Ágio Pereira, "o Presidente da República continua pró-activo e a trabalhar no sentido de seguir sempre o quadro constitucional, tendo sempre em conta que o essencial é garantir a paz e a harmonia no sociedade timorense". Essa função sublinhou Ágio Pereira, é-lhe "inequivocamente atribuída pela Constituição".
No que diz respeito à agenda das reuniões dos dois órgãos consultivos: "está tudo em aberto" - de acordo com o porta-voz do Presidente da República.
A convocação urgente dos dois conselhos foi proposta hoje pelo Primeiro-ministro timorense, Mari Alkatiri, ao Presidente, Xanana Gusmão, através de uma carta entregue ao chefe de Estado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, José Ramos-Horta.
Sexta-feira, Maio 26, 2006
Austrália aponta "problema significativo de governação" em Timor-Leste
O primeiro-ministro australiano, John Howard, apontou hoje a existência de "um problema significativo de governação" em Timor-Leste, afirmando que os confrontos dos últimos dias são "uma lição" para os responsáveis eleitos.
"Há um problema significativo de governação em Timor-Leste", disse Howard em declarações à rádio australiana ABC. "Não vale a pena andarmos a enganar-nos. O país não tem sido bem governado e espero que a experiência, para os que estão em cargos eleitos, de terem a necessidade de pedir ajuda do exterior, induza o comportamento apropriado no país", prosseguiu.
O primeiro-ministro timorense, Mari Alkatiri, em declarações à agência Lusa, garantiu hoje a unidade do governo e voltou a insistir nas suas competências em matéria de segurança, repetindo a tese de que há uma "coordenação" entre o governo e a Presidência da República na gestão da crise.
A tese de Alkatiri contradiz claramente fontes próximas de Xanana Gusmão contactadas pela agência Lusa.
Mais explícita foi a mulher de Xanana Gusmão, numa altura em que o presidente continua incontactável na sua residência familiar. A australiana Kirsty Sword garante que Xanana Gusmão sente que o governo de Mari Alkatiri é "claramente incapaz de controlar a situação". Por isso assumiu o controlo da segurança e a coordenação com as forças internacionais em Timor-Leste, afirmou a mulher do presidente timorense em entrevista à rádio australiana ABC.
"Penso que Xanana sente que, claramente, o governo é incapaz de controlar a situação. Não é claro quem é que está a comandar as forças armadas, que parecem estar agora a alvejar as famílias de agentes da polícia em Díli", disse Kirsty Sword à ABC.
"Depois do grave surto de violência de ontem (...), Xanana deixou bem claro que assumiu o comando das forças internacionais que chegaram ontem (quinta-feira). E pudemos reunir-nos com o general Ken Gillespie e com representantes do governo australiano e do governo neozelandês", acrescentou.
Nesse encontro, segundo a mulher do presidente timorense, Xanana Gusmão "fez-lhes um ponto da situação, falou de que como ficou chocado com o fracasso do governo em resolver as causas subjacentes da agitação das últimas semanas e deixou bem claro que assumiu o controlo das forças de defesa".
Sobre a posição do primeiro-ministro timorense, Mário Alkatiri, que se recusa a reconhecer a autoridade exclusiva de Xanana Gusmão sobre as forças de segurança, Kirsty Sword levantou mesmo a hipótese de alterações ao nível da governação: "Penso que vamos assistir a mudanças significativas. Acho que o governo perdeu a confiança da população".
Nas declarações à agência Lusa, Mari Alkatiri contradisse ainda a alegada autonomia e autoridade das tropas australianas no terreno, declarando que a segurança de Timor-Leste é da responsabilidade do governo e que as forças timorenses actuam em "coordenação" com as internacionais, no âmbito das "regras de actuação" definidas nos acordos assinados, disse o primeiro-ministro.
"A segurança interna é da responsabilidade do governo. Neste momento temos forças internacionais a ajudarem na segurança interna", referiu.
"O comando das forças internacionais não está nas mãos nem do governo nem de nenhuma instituição timorense, mas há coordenação entre o comando das forças institucionais e das F-FDTL e coordenação política feita pelo governo", sublinhou Alkatiri.
A posição de Mari Alkatiri sobre o papel das F-FDTL contradiz ainda a do ministro dos Negócios Estrangeiros, José Ramos-Horta, que hoje afirmou a uma rádio neozelandesa que as forças australianas tomariam posição nos principais locais da cidade, confinando os militares rebeldes, e os soldados das forças governamentais aos quartéis de Baucau e Metinaro.
"As forças armadas timorenses concordaram em retirar completamente da cidade, para a zona leste da capital, onde está o seu quartel", referiu Ramos Horta.
"Quaisquer outros elementos armados serão conduzidos para acantonamentos controlados pela força australiana", concluiu.
Entretanto, o responsável da Força Aérea australiana, Angus Houston, disse hoje que o governo timorense ordenou os soldados da F-FDTL que regressassem aos quartéis, entregando a responsabilidade da segurança aos australianos e ordenando os rebeldes a entregarem as armas.
Se alguém atacar soldados australianos, estes responderão. "Usaremos força letal apenas quando for absolutamente necessário fazer isso", disse.
Os últimos dados indicam que já estão no terreno mais de 650 soldados australianos. Os restantes elementos da força de 1.300 são esperados até ao final de sábado.
Estas posições contraditórias sugerem que no primeiro dia de operações das tropas australianas em Timor-Leste permanece alguma confusão quanto ao seu mandato, sobre as responsabilidades de comando da operação e sobre o eventual papel que as F-FDTL e as restantes estruturas de segurança timorenses terão no terreno.
Agência LUSA
Quinta-feira, Maio 25, 2006
Em Timor-Leste, confrontos entre polícias e militares agravam situação
A crise político militar em Timor-Leste agravou-se hoje após confrontos entre polícias e forças armadas que terão provocado perto de 20 mortos, o que levou o presidente Xanana Gusmão a chamar a si toda a responsabilidade pela segurança do país.
Cerca de 20 pessoas terão morrido e várias dezenas ficaram feridas nos confrontos de hoje, segundo várias fontes contactadas pela Agência Lusa.
O incidente que mais vítimas mortais provocou ocorreu logo ao princípio da manhã durante uma rendição de polícias timorenses, negociada pela força de polícia da ONU (UNPOL), que acabou com nove polícias timorenses a serem mortos, vítimas de disparos de efectivos do exército timorense.
Os disparos provocaram ainda dois feridos graves entre os polícias estrangeiros da UNPOL, um filipino e um paquistanês.
Este incidente foi, por outro lado, o primeiro que envolveu portugueses, com os seis polícias integrados na UNPOL, um dos quais dirigia a operação, debaixo de fogo mas a escaparem ilesos.
O caso levou o chefe da diplomacia portuguesa, Diogo Freitas do Amaral, a elogiar publicamente "o alto sentido de responsabilidade e sangue frio" dos dois oficiais superiores da polícia nele envolvidos, o subintendente Nuno Anaia e o coronel Fernando José Reis.
Mas a violência já tinha começado antes, provocando a morte de um oficial de polícia timorense junto ao mercado de Comoro, onde ocorreram os primeiros confrontos entre efectivos das forças armadas e polícias.
Ao longo do dia, os sucessivos episódios de confrontos, inicialmente contra a sede do comando distrital de Díli da Polícia Nacional de Timor-Leste, e posteriormente contra o quartel-general da corporação, terão provocado, segundo fonte hospitalar três mortos e 38 feridos.
Há ainda notícias da morte de um efectivo das F-FDTL em Liquiçá, a cerca de 40 quilómetros de Díli, e de baixas entre os homens que acompanham o major Alfredo Reinado, líder de uma das facções revoltosas, e de alguns dos antigos soldados afastados do exército em Março.
O número de vítimas civis é ainda desconhecido, mas houve testemunhas que relataram ter visto uma carrinha de caixa aberta circular pelas ruas de Díli com homens fardados armados disparando indiscriminadamente contra a população e uma outra testemunha que disse ter visto três cadáveres no interior de uma das várias casas incendiadas no bairro de Delta Comoro.
"Os focos de violência ocorreram em vários pontos da cidade ao mesmo tempo. Tivemos três horas de confrontos intensos. Fazer o balanço total de vítimas ainda não é possível", afirmou ao fim do dia um elemento da Administração de Díli à Lusa.
Segundo fonte do governo, a instabilidade que hoje se viveu em Díli não foi suscitada pelo grupo do major Alfredo Reinado, mas a "grupos armados desorganizados e desgovernados" que se encontram no terreno.
A identidade dos elementos envolvidos nos confrontos de hoje permanece em dúvida, com informações contraditórias sobre "quem disparou contra quem".
Notícias da capital dão igualmente conta do envolvimento de grupos mais ou menos numerosos de civis armados, a maioria jovens, desconhecendo-se se estão do lado do governo ou das forças rebeldes.
A rápida degradação da situação, levou a Austrália - que há vários dias tem preparada uma força de intervenção e que hoje instalou no território uma missão avançada de cerca de 130 homens - a ordenar a partida dos cerca de 1.300 militares, apesar de estar ainda pendente um mandato das Nações Unidas para uma força liderada pelos australianos e com contingentes de Portugal, Nova Zelândia e Malásia.
"Dada a deterioração da situação, vamos avançar sem qualquer condicionalismo com o destacamento completo e os 1.300 efectivos estarão no local muito rapidamente", anunciou em Camberra o primeiro- ministro australiano, John Howard.
O dia foi também marcado por um conflito institucional entre o Presidente da República, Xanana Gusmão, e o primeiro-ministro, Mari Alkatiri, com o primeiro a anunciar que chamou a si todas as competências em matéria de segurança e o segundo a considerar que essa decisão é inconstitucional e a assegurar que mantém as competências na área da segurança.
Esta confrontação parece ter entretanto diminuído de tom, com fonte do gabinete de Alkatiri a dizer à Agência Lusa que a presidência contactou o gabinete do primeiro-ministro para lhe transmitir que, no seu entendimento, "tem de haver coordenação".
Em Nova Iorque, prosseguem as diligências diplomáticas para que a questão de Timor-Leste seja incluída na agenda da reunião de hoje do Conselho de Segurança e para que o pedido timorense para a constituição de uma força internacional seja objecto de uma declaração deste órgão que a legitime enquanto força internacional.
Kofi Annan, o secretário-geral da ONU, acompanha de perto a situação em Timor-Leste e, hoje, além de telefonar ao primeiro- ministro português para manifestar o seu apoio à criação de uma força militar e policial, nomeou Ian Martin, um especialista em Timor que chefiou a missão da ONU no território em 1999, como seu enviado especial ao país.
Entretanto, com o cair da noite, Díli transformou-se numa cidade fantasma, deixando de se ouvir os disparos que marcaram o dia na capital.
Tiros esporádicos são, todavia, ainda ouvidos nalguns bairros, designadamente nos de Balide e Taibessi, junto às saídas sul de Díli.
Agência LUSA
Quarta-feira, Maio 24, 2006
Timor-Leste pede apoio militar internacional
Presidência e governo apelam à ONU, Portugal, Austrália, Nova Zelândia e Malásia
O presidente de Timor-Leste, Xanana Gusmão, solicitou às Nações Unidas o envio de uma força internacional para ajudar a estabilizar a segurança em Timor-Leste. Esta força deverá ser composta por elementos de Portugal, Austrália, Nova Zelândia e Malásia.
"A Portugal pedimos o envio da GNR, a Austrália uma componente militar. Estamos a fazer contactos junto da Nova Zelândia para apoio militar e da Malásia para apoio policial tipo GNR", explicou José Ramos Horta, ministro timorense dos Negócios Estrangeiros.
Estes pedidos surgem na sequência de novos confrontos no território. Um ataque de forças rebeldes ao quartel-general das Forças Armadas de Timor-Leste originou combates em vários pontos dos arredores de Díli. Ontem registaram-se três mortos e seis feridos e, já hoje, mais um morto e um ferido grave (um membro das forças policiais e um elemento da componente naval das Forças-Armadas timorenses que defendia o quartel-general, respectivamente).
"A vinda dos efectivos deve-se à incapacidade das nossas forças armadas e de segurança em controlarem a situação. Não é possível controlarmos a situação", reconheceu Ramos Horta.
Questionado quanto à dimensão dos quatro contingentes, Ramos Horta especificou que Portugal, Malásia e Nova Zelândia poderão enviar uma companhia cada, enquanto à Austrália vai ser solicitado o envio de um batalhão.
Resposta positiva
Portugal vai responder "a curtíssimo prazo" ao pedido de apoio timorense, garantiu o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros à Agência Lusa. "Face ao pedido que foi feito a Portugal por todos os órgãos de soberania de Timor-Leste, as autoridades portuguesas irão responder a curtíssimo prazo a solicitação que nos foi feita", afirmou o porta-voz.
Também a Austrália já fez saber que irá responder "rapidamente" ao pedido de apoio. O contingente que será mobilizado deverá envolver, pelo menos, três navios da Marinha, vários aviões de transporte de pessoal e equipamento logístico e centenas de efectivos. Alexander Downer, chefe da diplomacia australiana, admite que as primeiras forças do país poderão ser disponibilizadas num prazo de 24 horas, com o envio quer de militares quer de polícias que serão "progressivamente reforçados".
No mesmo sentido, o governo da Nova Zelândia está preparado para enviar tropas para Timor-Leste, mas aguarda ainda um pedido formal do governo timorense nesse sentido, disse fonte do Departamento de Defesa em Auckland à Agência Lusa.
Terça-feira, Maio 23, 2006
Tiroteios nos arredores de Díli, portugueses aconselhados ficar em casa
As forças armadas timorenses e ex- militares contestatários envolveram-se hoje em tiroteios em vários pontos dos arredores de Díli, que causaram pelo menos quatro feridos, disseram à Lusa fontes médicas.
Na sequência das escaramuças, os cidadãos portugueses residentes em Díli foram aconselhados a restringir a circulação nas áreas onde hoje se registaram confrontos armados, nomeadamente Bécora e Fatuhai.
O alerta foi difundido pelo Consulado de Portugal e os portugueses foram aconselhados a restringir "a circulação ao mínimo indispensável".
Os confrontos, entre efectivos militares e forças do major Alfredo Reinado, oficial que no passado dia 03 abandonou a cadeia de comando, terão começado às 11:30 horas locais (03:30 horas de Lisboa) na zona de Fatuhai, na saída leste de Díli.
O major Alfredo Reinado disse à agência Lusa que os confrontos provocaram dois ou três mortos do lado das forças armadas e que nenhum dos seus homens foi atingido.
No entanto, fontes médicas referiram que os confrontos, que envolveram militares e um número indeterminado de homens comandados pelo major Reinado e civis armados, apenas causaram quatro feridos.
O director do Hospital Nacional Guido Valadares, António Caleres, disse à Lusa que deram entrada naquela unidade quatro feridos, dois deles pertencentes às forças armadas.
A troca de tiros ter-se-á verificado quando efectivos das forças armadas procuravam montar um posto de controlo em Bécora, a cinco quilómetros do centro da capital, tendo sido recebidos a tiro pelos homens comandados pelo major Reinado.
Fonte policial adiantou que as forças armadas encetaram a perseguição dos homens liderados pelo major Reinado, numa área, que inclui as colinas até Metinaro, que dista cerca de 40 quilómetros de Díli.
Esta é a segunda vez no prazo de 25 dias que as forças armadas timorenses entram em acção para ajudar a restaurar a ordem pública.
A primeira vez foi a 28 de Abril, quando os militares ajudaram a conter os participantes de uma manifestação convocada por ex- militares, que protestavam contra alegadas discriminações no seio da instituição.
Nessa ocasião cinco pessoas morreram e dezenas ficaram feridas.
A intervenção das forças armadas decorre de concertação prévia entre o primeiro-ministro e o presidente da República, como prevê a Lei Orgânica das Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL).
Os efectivos das forças armadas foram comandados num primeiro tempo pelo coronel Lere Anan Timor, chefe do Estado-Maior das F-FDTL, tendo posteriormente as operações sido dirigidas no terreno pelo major Maubuti.
Os confrontos de hoje ocorrem cerca de 72 horas depois do final do congresso da FRETILN, o partido no poder, que foi marcado pela reeleição de Mari Alkatiri para a liderança.
A Lusa contactou o gabinete do primeiro-ministro, que respondeu estar a preparar para mais tarde uma reacção ao sucedido hoje em Bécora, um bairro junto à saída leste da capital.
Apesar dos incidentes em Fatuhai e Bécora, a situação na capital é calma.
EL/RBV.
Lusa/Fim
Segunda-feira, Maio 22, 2006
Café pode ajudar a proteger contra doenças cardiovasculares
Investigadores norte americanos da Universidade do Minnesota, em Minneapolis, concluíram que beber entre uma e três chávenas de café por dia pode ajudar a proteger contra as doenças cardiovasculares e outras doenças caracterizadas por inflamações.
"As conclusões sugerem que há alguns benefícios em beber café, com moderação", disse David R. Jacobs, um dos investigadores implicados no estudo. "Mas gostaria que outros investigadores testassem estas conclusões antes de fazer uma declaração a favor do consumo de café", disse.Jacobs e os seus colegas estudaram a relação entre o consumo de café e as mortes causadas por doenças cardiovasculares, cancro e outras doenças relacionadas com inflamações.As análises foram realizadas em 27.321 mulheres com idades entre os 55 e os 69 anos, durante 15 anos. Um total de 4265 das pessoas morreu durante esse acompanhamento.Houve uma "redução substancial" de 24 por cento do risco de mortes inflamatórias entre as mulheres que bebiam entre um e três cafés por dia, comparando com as pessoas que não bebiam café, explicou Jacobs."O consumo de doses mais elevadas de café não diminuiu o risco de redução" de doenças, frisou, acrescentando que "o cancro não se relacionou com o consumo" desta bebida.O facto de o café, ao inibir a inflamação, poder proteger contra as doenças cardiovasculares e outras doenças não é surpreendente, salientou Jacobs. "Já tínhamos descoberto que o café é a fonte mais importante de antioxidantes na dieta dos noruegueses e das mulheres no Iowa".Os resultados desta investigação foram publicados no "American Journal of Clinical Nutrition".Domingo, Maio 21, 2006
Dom Ximenes Belo visitou selecção lusa
O Bispo timorense Dom Ximenes Belo, deslocou-se hoje a Évora para desejar "boa sorte" à selecção portuguesa de futebol, que prepara na capital do Alto Alentejo a participação no Mundial de 2006, na Alemanha.
"Vim aqui para desejar boa sorte e apoiar a selecção portuguesa em vésperas desta importante competição. Que cheguem até ao fim", afirmou o Prémio Nobel da Paz, que fez questão de cumprimentar todos os jogadores, equipa técnica e dirigentes.
Numa visita privada e de surpresa, Dom Ximenes Belo esteve a conversar alguns minutos com o seleccionador português, o brasileiro Luiz Felipe Scolari, e o director desportivo, Carlos Godinho.
"Apesar da diferença horária, em Timor segue-se a selecção portuguesa com grande paixão", frisou o antigo administrado apostólico de Dili, em declarações ao sítio oficial da Federação Portuguesa de Futebol (FPF).
Em resposta à visita e às palavras de apoio do Nobel da Paz, que aconteceu depois do treino matinal da formação lusa, Luiz Felipe Scolari agradeceu, reafirmando o grande carinho de todos os elementos da selecção lusa pelo povo de Timor.
"Estamos sempre disponíveis para transmitir uma mensagem de paz, amor e solidariedade. Há uma relação especial entre os povos de Portugal e Timor, como se viu recentemente", disse o técnico que levou o Brasil ao "penta" no Mundial de 2002.
O seleccionador recordou o que se passou no Europeu de 2004, realizado em solo luso: "Durante o Euro2004, víamos as imagens de festa em Timor à medida em que a nossa equipa progredia na prova".
"Foi uma prova evidente de como o futebol pode contribuir para a aproximação dos povos e para a alegria no Mundo. Esse apoio é importante para nós, mesmo vindo de tão longe", concluiu Scolari.
PFO/SSS.
Lusa/Fim
Sábado, Maio 20, 2006
Apelo à união no quarto aniversário da independência
O ministro dos Negócios Estrangeiros timorense, Ramos Horta, apelou hoje em Díli à unidade do povo de Timor-Leste, num discurso de comemoração do quarto aniversário da independência de Timor-Leste, que hoje se celebra "com algumas preocupações".
"Celebramos a data com algumas preocupações nas mentes de muitos jovens deste país, mas estes são problemas normais no processo de crescimento da nação ," afirmou Ramos-Horta, que é também ministro de Estado do governo timorense, du rante um concerto em frente ao Palácio do Governo, que assinalou a data da indep endência, na ausência de comemorações oficiais.
"Timor-Leste pode vir a ser grande desde que nos unamos e norte a sul, de leste a oeste," afirmou Ramos-Horta.
Em 20 de Maio de 2002, Timor-Leste ascendeu oficialmente à independênci a, depois de 24 anos de ocupação da Indonésia e de dois anos e meio de administr ação da ONU.
O país vive actualmente um clima de apreensão, desde as manifestações d o final de Abril em Díli que, ao quinto dia, degeneraram em confrontos violentos com as forças de segurança. O balanço oficial dos confrontos é de cinco mortos e mais de 70 feridos.
As manifestações foram convocadas em protesto contra a decisão do coman dante das Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL), brigadeiro-general Taur Mata n Ruak, de dispensar do exército os cerca de 600 militares que se manifestavam c ontra o que dizem ser discriminação étnica.
RBV.
Lusa/Fim
Sexta-feira, Maio 19, 2006
Moisés da Costa Amaral: Faria hoje 68 anos
Líder timorense se fosse vivo, faria hoje 68 anos.
Nasceu a 19 de Maio de 1935, em Timor Leste, e faleceu a 22 de Fevereiro de 1989.
Após a invasão idonésia e durante vários anos foi o único líder timorense no exterior a "lutar" pela autodeterminação do povo timorense.
Foi o primeiro timorense a defender a autodeterminação do povo de Timor Leste perante uma assembleia geral das Nações Unidas.
Lutou pelo impensável, a união dos timorenses. Contra muitos, foi o principal responsável pela Convergência Nacionalista, que permitiu, que timorenses de diferentes ideologias, lutassem pelo mesmo objectivo comum, a autodeterminação e independência do povo timorense.
Pouco tempo antes da sua morte, por alturas do Natal, afirmou e com razão, que o principal trabalho estava feito, a união do povo timorense, até então divergido, na luta por um objectivo comum. E que a independencia então, seria uma questão de tempo...
Estranhamente a um dia de se celebrar o quarto aniversário da independência de Timor Leste, continua esquecido pelos seus pares por quem tanto "lutou" e se sacrificou.
Quinta-feira, Maio 18, 2006
GNR a postos para seguir para Timor
O comandante-geral da GNR, Mourato Nunes, revela que aquela força militarizada tem uma companhia pronta para ir para Timor-Leste a qualquer momento, faltando apenas a decisão política
VISAOONLINE 18 Mai. 2006
Timor-leste: GNR pronta, falta decisão política - Mourato NunesLusa, 17 Mai (Lusa) - O Comandante-geral da GNR, Mourato Nunes, revelou hoje que aquela força militarizada tem uma companhia pronta para ir para Timor-Leste a qualquer momento, faltando apenas a decisão política.Em entrevista à rádio TSF, Mourato Nunes adiantou, na quarta-feira, que a GNR está preparada «para qualquer teatro de operações» e que há uma companhia a postos para seguir para território timorense, mas lembrou que esta é «uma decisão do foro político e que passa, neste caso concreto, dado que as Nações Unidas ainda estão em Timor, por um processo de negociação entre o Governo timorense, a ONU e o Governo português».«O nosso compromisso é ter uma capacidade projectável de uma força até 120 elementos no prazo de 30 dia», acrescentou. Na mesma entrevista, Mourato Nunes admite que, face a outras polícias internacionais, a GNR está em melhores condições para actuar em Timor: «Portugal tem a vantagem do conhecimento da língua e do conhecimento local, sobretudo da imagem que deixou aquando das intervenções em Timor.»As declarações de Mourato Nunes surgem depois do primeiro- ministro, José Sócrates, se ter reunido com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, na semana passada, tendo ambos concordado que a questão de Timor-Leste deve continuar a ser tratada no âmbito das Nações Unidas, incluindo o reforço da presença portuguesa em Díli.Segundo o Estado-Maior general das Forças Armadas, estão actualmente em Timor-Leste 17 militares a desempenhar funções de assessoria à formação das componentes terrestres e naval das Forças de defesa timorenses.Timor-Leste vive um período de tensão provocado por incidentes protagonizados por militares contestatários que alegam discriminação por parte da hierarquia das forças armadas. Os confrontos com as forças da segurança no fim de Abril provocaram cinco mortos e o êxodo para as montanhas de cerca de 70% da população da capital, de acordo com as Nações Unidas. Nos últimos dias a população começou a regressar gradualmente à capital.
Quarta-feira, Maio 17, 2006
Mais uma acha para a fogueira - Alkatiri acusado de tomar decisão inconstitucional
O Primeiro-ministro timorense ordenou directamente a substituição da polícia pelas Forças Armadas nos confrontos de Dili, em finais de Abril, acusa um militar dissidente
Em declarações à Agência Lusa, o Major Alfredo Reinado, que lidera uma facção militar timorense acantona na região de Aileu, disse que Mari Alkatiri deu a ordem sem contactar o Presidente da República, Xanana Gusmão, o que torna a "decisão inconstitucional".
Recorde-se que de acordo com a lei orgânica das Forças Armadas timorenses, o Primeiro-ministro só poderia dar uma ordem deste tipo depois da declaração de Estado de Crise, o que é feito em concertação com o Presidente da República.
Os confrontos de 28 e 29 de Abril fizeram cinco mortos, de acordo com os números oficiais.
Terça-feira, Maio 16, 2006
Militares contestatários disponíveis para encontro com Xanana
Os militares contestatários que abandonaram a cadeia de comando das forças armadas timorenses manifestaram abertura para um encontro com o presidente da República e com o comandante das forças armadas
VISAOONLINE 16 Mai. 2006
Depois de um encontro de 90 minutos com majores Alves Tara e Marcos Tilman, o ministro timorense dos Negócios Estrangeiros afirmou que os militares contestatários estão disponíveis para conversar com o Presidente da República Xanana Gusmão. Relatando à Lusa o que lhe foi dito no encontro pelos dois majores, o chefe da diplomacia timorense disse que «eles abandonaram os seus postos a 3 de Maio, recusando-se a cumprir ordens, quando as suas consciências acreditaram que teria havido mais mortos». Os majores Alves Tara e Marcos Tilman abandonaram, com o major Alfredo Reinado, a hierarquia de comando das Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL) por contestarem a actuação das forças armadas no dia 28 de Abril e no dia seguinte, em Díli, em que se registaram confrontos com os participantes numa manifestação organizada por ex-militares. Os confrontos causaram cinco mortos e dezenas de feridos, segundo informações oficiais. «Continuaram fiéis às F-FDTL, continuaram fiéis ao Comandante Supremo das forças armadas, e manifestaram o seu respeito pelo brigadeiro-general Taur Matan Ruak», indicou Ramos Horta. «Conversei longamente com eles. Pediram-me para transmitir ao presidente Xanana, ao brigadeiro-general Taur, assim como às forças armadas, que não querem fazer a guerra. Querem apenas a verdade dos factos do que ocorreu depois de 28 de Abril, para saber quem deu ordens e que se apurem a verdade e a justiça», adiantou. O ministro, que tem desempenhado funções de mediação com os militares contestatários, caracterizou o encontro como «muito franco e aberto».
Segunda-feira, Maio 15, 2006
Austrália tem 800 militares de prevenção
Camberra colocou em prevenção uma força de 800 soldados para apoiar uma evacuação de pessoas de Timor-Leste, caso se torne necessário
VISAOONLINE 15 Mai. 2006
Segundo a edição desta segunda-feira do jornal The Australian, os 800 militares juntar-se-ão aos efectivos da marinha de guerra que foram igualmente colocados de prevenção para atender à eventual necessidade de retirada de Timor-Leste.O jornal The Sydney Morning Post refere, por seu turno, que a fragata Adelaide já aportou em Darwin, no norte da Austrália, enquanto que o navio anfíbio Tobruk ancorou em Queensland no porto de Townsville. Dois outros navios da marinha de guerra australiana, o Manoora e o Kanimbla, dirigem-se igualmente para Queensland.O ministro da defesa australiano, Brendan Nelson, disse entretanto que o Governo está a tomar medidas necessárias para que a Austrália «possa dar uma resposta adequada e rápida caso seja solicitada ajuda». «Acredito que não será necessário intervir mas, se o for, estamos preparados», disse. No caso de uma intervenção militar australiana, segundo a imprensa local, ela partirá de Darwin.No domingo o Ministério dos Negócios Estrangeiro (MNE) australiano justificou o reforço do número de navios de guerra no norte da Austrália, perto de Timor-Leste, com a necessidade de preparação para responder a eventuais incidentes. «É melhor estar preparado do que não estar», referiu um porta-voz no MNE australiano, que não se identificou e não adiantou mais explicações. O porta-voz comentava o envio de mais dois navios de guerra para o norte da Austrália, em águas territoriais do país a 600 milhas náuticas de Timor-Leste. Este envio fez aumentar para quatro o número de navios de guerra australianos na zona.Fontes diplomáticas em Díli asseguram que diversas embaixadas de países ocidentais, incluindo a portuguesa, acordaram já com Camberra que, em caso de distúrbios em Díli, será a Austrália a assegurar a evacuação dos cidadãos estrangeiros no país.José Ramos Horta, ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor, agradeceu sábado às autoridades australianas por terem colocado os navios a postos para prestar ajuda a Timor-Leste, caso Díli o peça. «Quando há contratempos de grande exposição mediática, contratempos causados por nós próprios, devemos estar agradecidos aos nossos vizinhos, com mais recursos, por se mostrarem disponíveis para ajudar o povo e as autoridades timorenses», disse o ministro.
Sábado, Maio 13, 2006
Encontro entre Xanana Gusmão e Alfredo Reinado começou às 09:15
Díli, 13 Mai (Lusa) - Um encontro entre o Presidente de Timor- Leste, Xanana Gusmão, e o major Alfredo Reinado, que comanda um grupo de militares que abandonou a cadeia hierárquica, começou às 09:15 na casa do chefe de Estado, arredores de Díli.
A reunião (iniciada à 01:15 de Lisboa) decorre de um encontro que o ministro dos Negócios Estrangeiros, José Ramos-Horta, manteve na quinta-feira, em Aileu, a sul de Díli, com aquele militar.
O ministro dos Negócios Estrangeiros saiu hoje muito cedo de Díli para Aileu, de onde regressou à capital timorense acompanhado do major Alfredo Reinado.
A Agência Lusa acompanhou a coluna automóvel de Aileu para Díli, que era composta por quatro viaturas, duas do pelotão comandado pelo major.
A passagem da coluna automóvel foi testemunhada ao longo do caminho por muitos timorenses mas os jornalistas não puderam assistir ao encontro, sendo o próprio Xanana Gusmão que pediu para que deixassem o local, alegando que se tratava da sua residência particular (Xanana recebeu Alfredo Reinaldo e Ramos-Horta no jardim de sua casa).
Um militar do pelotão comandado pelo major Alfredo Reinado disse à Lusa que o grupo deverá regressar a Aileu no final do encontro, estando prevista uma conferência de imprensa, na capital timorense, pelo ministro dos Negócios Estrangeiros.
Em entrevista sexta-feira à Agência Lusa, Alfredo Reinado apontou como razão principal para o abandono da cadeia hierárquica do exército os disparos, que considerou "injustificáveis", das forças armadas sobre civis, que, segundo o governo, fizeram cinco mortos no final de Abril em Díli.
No passado dia 29, para tentar conter uma manifestação em Díli, efectivos das Forças Armadas trocaram tiros com um grupo de militares contestatários e jovens, que tinham protagonizado 24 horas antes violentos confrontos com as forças de segurança.
EL/RBV.
Lusa/fim
Sexta-feira, Maio 12, 2006
Aprovado prolongamento da missão da ONU por um mês
Nações Unidas, Nova Iorque, 12 Mai (Lusa) - O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou hoje o prolongamento por mais um mês da actual missão em Timor-Leste (UNOTIL), cujo mandato terminava no próximo dia 19, para avaliar como pode ser reforçada a estabilidade no país.
Numa resolução aprovada por unanimidade, os 15 membros do Conselho de Segurança manifestam a sua preocupação com os incidentes de 28 e 29 de Abril, em que morreram cinco pessoas e dezenas ficaram feridas.
Os confrontos ocorreram depois de quase 600 soldados terem protestado pelo seu afastamento do exército por exigirem o fim das alegadas discriminações da hierarquia.
A resolução pede ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que apresente, até 06 de Junho, um novo relatório sobre a situação no país e sobre qual deve ser o papel das nações Unidas.
O texto apela ainda ao governo de Timor-Leste para que resolva, com a assistência da UNOTIL, as causas da actual crise, de forma a evitar a sua repetição.
A resolução hoje aprovada foi proposta pelos Estados Unidos como alternativa a uma recomendação do secretário-geral, Kofi Annan, de substituir a UNOTIL por uma nova representação, com um mandato de 12 meses, que incluísse uma unidade de apoio eleitoral e observadores policiais e militares.
A proposta de Annan tinha o apoio dos restantes quatro membros permanentes do Conselho de Segurança, mas os Estados Unidos alegaram que a aprovação de uma nova missão não seria "oportuna" à luz da situação de instabilidade em Timor-Leste decorrente de confrontos violentos no final de Abril entre militares contestatários, civis e forças de segurança.
"Este prolongamento por um mês dará tempo suficiente para a situação se acalmar em Timor-Leste e permitirá aos membros do Conselho de Segurança ter uma ideia melhor do que será necessário para uma nova missão e discutir os melhores meios para a formar", explicou, antes da reunião de hoje, o conselheiro político da missão dos Estados Unidos na ONU, William Brencick.
Os restantes membros do Conselho de Segurança acabaram por concordar com a proposta norte-americana, viabilizando a sua aprovação.
MDR/JP.
Lusa/fim
Quinta-feira, Maio 11, 2006
Governo distribui arroz para incitar regresso das montanhas
Rui Boavida (Texto) e Manuel de Almeida (Fotos), enviados da Agência Lusa Díli, 11 Mai (Lusa) - O governo timorense começou a distribuir arroz em Díli para atrair de volta à capital os habitantes fugidos para as montanhas após confrontos entre ex-militares, civis e forças de segurança, disse hoje à Agência Lusa um responsável da administração local.
"É a primeira vez que distribuímos alimentos nas aldeias (freguesias) de Díli", assinalou Adriano Soriano, o administrador do subdistrito de Acadimu Hum, que dirige a distribuição de arroz naquele conjunto de freguesias da capital timorense.
A Direcção Nacional da Administração do Território, da estrutura do Ministério da Justiça, coordena a distribuição de arroz, atribuindo um quilo por pessoa.
"É uma política para atrair de volta às suas casas a população que fugiu para as montanhas e acho que vai funcionar, porque as pessoas que fugiram terão de descer até Díli para receber o arroz", afirmou Soriano, precisando que a distribuição teve início na quarta-feira e vai continuar até sexta-feira.
Cerca de 70 por cento da população da capital fugiu para as montanhas, na sequência de confrontos entre ex- militares, civis e as forças da ordem no final de Abril em Díli, que fizeram cinco mortos e dezenas de feridos, segundo as estimativas oficiais.
Filomena Ximenes, uma dona de casa de 49 anos e uma das cerca de cem pessoas que recebiam arroz em Acadimu Hum, confirmou ser a primeira distribuição desde 1999 e disse que, apesar de ter medo de eventuais reinícios dos confrontos, se recusou a fugir para as montanhas.
"Eu já estou traumatizada, não quero sofrer mais", confessou.
"Não quero mais andar a fugir. Durante os motins de 1999, quando os indonésios saíram de Timor, passei quase um mês em campos de refugiados e não quero voltar a passar pelo mesmo", lembrou Filomena, apelando às autoridades timorenses para normalizarem a situação.
"Quero - disse - que os deputados e o primeiro- ministro façam algo para que não aconteça nada, para normalizar a situação".
Lusa/Fim
Quarta-feira, Maio 10, 2006
Conselho de Segurança decide 6ªfeira prorrogação da missão da ONU
Díli, 10 Mai (Lusa) - O Conselho de Segurança debate sexta- feira em Nova Iorque uma proposta norte-americana de prorrogar por mais 30 dias o mandato da actual missão da ONU em Timor-Leste, que termina a 19 de Maio, disse hoje fonte diplomática à Lusa.
A intenção é garantir a continuidade da presença da ONU no país, à luz dos recentes acontecimentos, marcados a 28 e 29 de Abril por confrontos violentos e que posteriormente evoluíram para a maciça saída da maioria da população residente na capital para o interior, devido ao receio de ataques armados.
A saída da população foi acompanhada pela saída para o interior do país de número ainda indeterminado de efectivos das forças armadas e de agentes da polícia.
A proposta norte-americana merece o acordo das autoridades timorenses, e à chegada a Díli, proveniente de Nova Iorque, José Ramos Horta, chefe da diplomacia de Timor-Leste, disse que a iniciativa de Washington "é sensata".
"Creio que vai vingar", acrescentou.
"Existe um relatório do secretário-geral Kofi Anann sobre o mínimo [de efectivos internacionais] recomendado, mas dado os últimos acontecimentos, provavelmente vai haver uma missão um pouco mais robusta", referiu.
O formato da futura missão, designadamente a incorporação de uma "força policial internacional robusta", como afirmou Ramos Horta perante o Conselho de Segurança, apenas será definido durante os 30 dias de prorrogação da actual missão, a UNOTIL.
O interesse das autoridades timorenses é voltarem a contar com uma força policial semelhante à que a portuguesa GNR manteve no país, aquando da Missão de Assistência da ONU (UNMISET), cujo mandato terminou a 19 de Maio de 2005, tendo sido substituída pela UNOTIL.
Cristóvão Santos, assessor de imprensa de Ramos Horta, disse hoje à Lusa que as negociações para a eventual vinda da GNR, no âmbito dos acordos de cooperação bilateral com Portugal, "apenas ocorrerá se e quando a ONU decidir se envia ou não uma força policial, como foi definida pelo ministro no seu discurso em Nova Iorque".
Uma missão de avaliação da GNR, composta por cinco elementos, esteve há cerca de um mês em Díli, para preparar a eventual vinda de efectivos daquela força, mas no quadro da assistência à formação da Policia Nacional de Timor-Leste.
EL.
Lusa/Fim
Terça-feira, Maio 09, 2006
China "profundamente preocupada" com a crise
Pequim, 09 Mai (Lusa) - A China está "profundamente preocupada" com os distúrbios em Timor-Leste e apelou ao reforço da segurança no país, disse hoje em Pequim o porta- voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Liu Jianchao.
"O governo e os líderes chineses estão profundamente preocupados com a segurança da população chinesa de Timor-Leste", disse Liu Jianchao, em conferência de imprensa de rotina.
Liu disse ainda que o departamento consular do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês emitiu já um aviso de viagem a Timor-Leste, aconselhando os cidadãos chineses a adiarem qualquer deslocação ao país, caso não tenham necessidade absoluta de o fazer.
"A embaixada chinesa em Timor-Leste já visitou e apresentou condolências às pessoas relevantes, e apelou à polícia local para que tome medidas eficazes para reforçar a segurança", assinalou o porta-voz da diplomacia chinesa, segundo o qual "diversas lojas de cidadãos chineses foram incendiadas durante as perturbações da ordem pública".
"Timor-Leste - disse - é um país amigo da China, as nossas relações têm decorrido suavemente e esperamos que a situação se estabilize, porque a normalização da segurança pública é importante para o desenvolvimento do país".
A população chinesa de Timor-Leste foi no passado alvo de ataques selectivos, tendo cerca de 500 chineses morrido num só dia, a 07 de Dezembro de 1975, segundo sobreviventes. As lojas e cidadãos chineses foram também alvo de ataques nos motins de 1999.
A manifestação de ex-militares iniciada a 24 de Abril degenerou cinco dias depois em confrontos violentos e desde estão registaram-se oficialmente seis mortos, um deles um polícia, e 82 feridos, sete dos quais são agentes da polícia.
Um dos polícias feridos foi transportado para Darwin, onde se encontra a recuperar na unidade de cuidados intensivos dos graves ferimentos que sofreu na tarde do dia 28, defronte do Palácio do Governo.
Na passada segunda-feira registaram-se novos incidentes em Gleno, a 40 quilómetros de Díli, onde um polícia morreu e outros dois ficaram feridos.
RBV.
Lusa/Fim
Segunda-feira, Maio 08, 2006
FA têm "planos de contingência" para portugueses
Lisboa, 08 Mai (Lusa) - O ministro da Defesa, Luís Amado, assegurou hoje que existem "planos de contingência" para sair em auxílio dos portugueses que residem em Timor-Leste, caso a situação de segurança no país se agrave.
"Há naturalmente planos de contingência em todos os teatros onde haja cidadãos portugueses envolvidos (Ó) As Forças Armadas portuguesas estarão preparadas para responder às questões com que forem confrontadas", disse Luís Amado, no final de uma visita ao comando da Aliança Atlântica sedeado em Oeiras.
Frisando que o cenário de retirada de cidadãos nacionais "não está a ser equacionado neste momento" e que é no Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) que "a situação de crise é acompanhada", Luís Amado reconheceu a existência de "condicionamentos muito grandes" a uma operação daquele tipo.
"Naturalmente que há condicionamentos muito grandes. Mas nós temos acordos, designadamente com a Austrália, tendo em vista a perspectiva de uma crise mais grave no território", adiantou.
No entanto, insistiu, os "diferentes cenários" de acção decorrerão sempre da avaliação que está a ser feita pelo MNE.
Timor-Leste tem sido nas últimas semanas cenário de incidentes envolvendo militares contestatários que alegam ser alvo de discriminação de natureza regional.
Os militares contestatários, ou "loromonu", como se auto- designam, são maioritariamente naturais dos 10 distritos mais ocidentais.
Os restantes três distritos, situados na parte leste, são chamados "lorosae".
Os militares refugiaram-se em parte incerta, causando apreensão em muitas partes do país.
A situação levou cerca de 70 por cento da população de Díli a sair da cidade e a refugiar-se nas montanhas.
Presente hoje em Lisboa num seminário evocativo do Dia da Europa, o presidente da Comissão Europeia afirmou-se "muito preocupado" com a situação, que disse estar a ser acompanhada "atentamente" em Bruxelas.
PGF.
Lusa/fim
Domingo, Maio 07, 2006
Cancelado voo da embaixada EUA
Díli, 07 Mai (Lusa) - O voo "charter" organizado pela embaixada norte-a mericana em Díli, e que tinha reservado lugares s para quem desejasse sair de Ti mor-Leste, foi cancelado, disse hoje fonte diplomática à Agência Lusa.
Apenas uma cidadã portuguesa, que se encontra de férias a acompanhar um familiar em serviço em Timor-Leste, manifestou vontade de aproveitar a ocasião para sair mais cedo.
De acordo com informação da embaixada dos Estados Unidos, a entidade pr ivada que tratou da organização do voo "alterou a sua decisão, e não permite que o avião aterre em Timor-Leste, pelo que o voo foi cancelado".
O voo estava a ser organizado, em avião alugado pela embaixada dos Esta dos Unidos, para transportar cidadãos norte-americanos, e tinha reservado 60 lug ares para cidadãos de outras nacionalidades.
A Embaixada de Portugal foi informada sábado que 20 lugares estavam ao dispor da comunidade portuguesa, que é de cerca de 400 pessoas.
O anúncio da realização do voo deveu-se ao progressivo esvaziamento da cidade, face a rumores de "um alegado ataque de ex-mlitares à cidade", conforme um comunicado do gabinete do primeiro-ministro enviado sexta-feira à Lusa.
O aeroporto internacional Nicolau Lobato nunca esteve fechado e as oper ações aeroportuárias têm-se realizado com toda a normalidade.
Diariamente realizam-se pelos menos dois voos, um em direcção a Darwin, norte da Austrália, e o segundo com destino para a lha indonésia de Bali.
EL.
Lusa/Fim
Sábado, Maio 06, 2006
PR Xanana Gusmão pediu a bispos católicos que apelem à calma
Díli, 06 Mai (Lusa) - O Presidente de Timor-Leste, Xanana Gusmão, reuniu-se hoje com os dois bispos católicos timorenses, a quem pediu que nas missas de domingo sejam transmitidos apelos à calma e ao regresso da população.
Segundo as Nações Unidas, mais de 70 por cento da população do distrito de Díli abandonou nos últimos dias a capital, dirigindo-se para o interior, por receio de "um alegado ataque à cidade por ex- militares", conforme um comunicado de imprensa do gabinete do primeiro- ministro, enviado sexta-feira à Lusa, e que invoca "rumores".
Fonte da Presidência da República disse à Lusa que Xanana Gusmão considera a Igreja Católica "extremamente importante" para ajudar a restaurar a calma e apelar à população para que regresse às suas casas, na capital.
Xanana Gusmão reuniu-se com os bispos D.Alberto Ricardo da Silva, de Díli, e D.Basílio do Nascimento, de Baucau.
Na capital timorense continua-se a viver um clima de tranquilidade, perturbada somente pelos rumores e circulação de informações sobre movimentos de militares no activo e de agentes das forças de segurança para o lado dos contestatários.
EL.
Lusa/Fim
Sexta-feira, Maio 05, 2006
Portugal acompanha situação "com atenção" - MNE
Lisboa, 05 Mai (Lusa) - Portugal continua a acompanhar a situação em Timor-Leste "com atenção", através do gabinete de crise activado há uma semana em Lisboa, disse hoje à Lusa o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Em Díli, a embaixada de Portugal mantém a recomendação para que os cidadãos portugueses evitem deslocações nocturnas e permaneçam nas suas residências, divulgada por SMS na sexta-feira passada quando se verificaram confrontos violentos entre manifestantes e forças de segurança.
Segundo o adido de segurança da embaixada, estão previstas "reuniões de esclarecimento" na segunda-feira com professores e outros portugueses residentes fora da capital, que deverão chegar a Díli este fim-de-semana.
Posteriormente, este tipo de reuniões será alargado aos restantes cidadãos portugueses, disse o tenente-coronel Francisco Matos Sousa.
Cerca de 400 portugueses - sobretudo professores, mas também pessoal diplomático, cooperantes, contratados por organizações não governamentais e religiosas, entre outros - estão inscritos no consulado português em Díli, dos quais cerca de 300 a viver na capital.
"Continuamos atentos à situação. Temos preparado, mas ainda no plano teórico - somente em última análise -, a activação de um plano de evacuação", disse ainda à Lusa o adido de segurança da embaixada portuguesa.
Até ao momento, não há registo de qualquer tipo de incidente envolvendo cidadãos portugueses.
Em declarações à Lusa em Sófia, na sexta-feira passada, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Diogo Freitas do Amaral, apelou à "calma e ao respeito pela legalidade democrática", acrescentando que "o Governo português tem confiança no Presidente da República, Xanana Gusmão, e no executivo de Timor para manter a tranquilidade pública e resolver os problemas".
No mesmo dia, foi anunciada a activação de um gabinete de crise em Lisboa, a funcionar na Secretaria de Estado das Comunidades, para entrar em contacto com os portugueses.
Desde o passado dia 28 que se vive em Díli uma situação de tensão, depois de uma manifestação convocada por centenas de militares contestatários ter degenerado em violência, que se estendeu a partir do Palácio do Governo a bairros dos subúrbios ocidentais da cidade, provocando oficialmente cinco mortos e mais de 80 feridos.
Hoje, o Ministério dos Negócios Estrangeiros australiano aconselhou hoje os seus cidadãos em Timor-Leste a deixarem o país dado "elevado nível de tensão", e o primeiro-ministro disponibilizou o envio de tropas, caso haja um pedido nesse sentido das autoridades timorenses.
"Certamente que espero que essa possibilidade não seja necessária. Espero que eles (o governo timorense) consigam resolver os assuntos internos", disse, em entrevista à rádio da Cruz Vermelha, o primeiro-ministro australiano, John Howard.
"A situação tornou-se difícil nos últimos dias e espero que estabilize", acrescentou.
Também o Departamento de Estado norte-americano pediu na quinta-feira ao seu pessoal diplomático não essencial e respectivas famílias residentes em Timor-Leste para deixarem o país, à semelhança do Ministério dos Negócios Estrangeiros neozelandês que aconselha os seus cidadãos a adiarem "deslocações não urgentes" para Timor-Leste e, aos que se encontram em Timor-Leste para que deixem o país.
Embora não se registem actos de violência desde sábado, mais de 70 por cento da população residente em Díli abandonou a capital nos últimos dias, sobretudo nas últimas 48 horas, disse hoje fonte das Nações Unidas à Lusa em Díli.
Em comunicado enviado à Agência Lusa, o gabinete do primeiro- ministro confirma que algumas pessoas decidiram hoje partir para o interior do país, "mas nada que se compare com o caudal de ontem (quinta-feira), quando milhares de pessoas abandonaram Díli, em pânico, com receio que se cumprissem os rumores que apontavam para um alegado ataque à cidade".
Nos últimos dias, receando actos de violência, milhares de timorenses têm pernoitado em instituições religiosas, escolas ou na missão da ONU, onde na quinta-feira passaram a noite cerca de 12 mil pessoas, que entretanto regressaram a suas casas.
EL/FCP.
Lusa/Fim
Quinta-feira, Maio 04, 2006
Efectivos da Polícia Militar não regressaram a Díli
Díli, 04 Mai (Lusa) - Efectivos da Polícia Militar não regressaram hoje a Díli, sendo possível que se tenham juntado ao grupo de militares contestatários que desde o passado fim-de-semana fugiram de Díli, disseram fontes militares à Lusa.
A fonte salientou que de um pelotão formado por 18 efectivos, apenas três regressaram a Díli, na sequência de patrulhas fora da capital.
Presumivelmente, os 15 efectivos da Polícia Militar ter-se-ão juntado ao grupo dos militares contestatários que desde o passado fim- de-semana fugiram de Díli, na sequência da intervenção das forças armadas para conter os participantes de uma manifestação que degenerou em violentos confrontos junto ao Palácio do Governo e nos subúrbios da entrada ocidental da capital.
A manifestação foi convocada por um grupo de militares, maioritariamente "loromonu", ou seja naturais dos dez distritos mais ocidentais do país.
Na cidade, deserta, parece que o calendário deu um salto, e que é mais um domingo que se vive em Díli, mas se se observar com mais atenção, não se vêem mulheres nem crianças, só homens, conversando em grupos.
O quadro ao princípio da tarde na capital timorense é substancialmente diferente do que a situação vivida algumas horas antes, quando centenas de viaturas e milhares de pessoas se acotovelavam nos supermercados, nas estações de serviço, à porta das casas, transportando colchões, móveis, frigoríficos e televisões.
Os cidadãos portugueses continuam a observar os conselhos oportunamente feitos pela Embaixada de Portugal, no sentido de evitarem deslocações nocturnas, mantendo-se em casa.
Esta é a pior crise político-militar desde que Timor-Leste teve a sua independência reconhecida pela comunidade internacional, em 2002.
EL.
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Quarta-feira, Maio 03, 2006
Nações Unidas aconselham adopção de "medidas de precaução"
Díli, 03 Mai (Lusa) - As Nações Unidas aconselharam a adopção de "medidas de precaução" devido ao carácter volátil das condições de segurança em Díli, de acordo com um documento hoje distribuído e a que a Agência Lusa teve acesso.
Embora destaque que "não se prevê que a segurança se deteriore rapidamente", o documento reconhece que este tipo de situações são "voláteis".
Dirigido aos responsáveis das várias agências da ONU presentes em Timor-Leste, o documento justifica a medida de precaução para responder à eventual necessidade dos funcionários da ONU serem obrigados a permanecer longos períodos de tempo nos respectivos locais de trabalho, impossibilitados de se deslocarem às respectivas residências.
Entretanto, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, em comunicado enviado à Lusa, informou hoje que alguns habitantes de Díli "continuam preocupados com rumores" e que nalguns bairros suburbanos saíram de Díli em direcção às montanhas.
"O Governo reafirma que os receios da população são infundados", sublinha o comunicado do MNE.
Este movimento pendular ganhou expressão nos dias que antecederam a manifestação iniciada no passado dia 24 por centenas de militares contestatários, um protesto em que foram acompanhados por familiares e simpatizantes, e que degenerou, cinco dias depois, em violentos confrontos junto ao Palácio do Governo.
Os violentos confrontos registados ao princípio da manhã do passado sábado, na área de Comoro, opondo efectivos das forças armadas contra os militares contestatários e grupos de jovens, acentuaram esse movimento pendular, marcado pela concentração de milhares de pessoas em instituições ligadas à igreja e escolas.
De acordo com a ONU, o maior número de deslocados verificou-se na noite de sábado para domingo, quando foram contabilizadas 13 mil pessoas.
A Lusa visitou hoje o Colégio Salesiano D. Bosco, em Comoro, onde o padre Rolando Fernandez informou que se encontram 1.500 pessoas nas instalações.
"à noite o número aumenta, porque as pessoas receiam ficar nas suas casas, devido aos rumores que circulam", acrescentou.
Somente no fim-de-semana passado, mais de 7.500 pessoas refugiaram-se naquele colégio.
O Governo, a Cruz Vermelha, algumas embaixadas e organizações não-governamentais estão a ajudar aqueles deslocados com alimentos e água.
O comunicado do MNE informa que o Governo criou três comissões: recepção dos militares contestatários, verificação de mortos e feridos e de levantamento das destruições de bens, que integram representantes de vários ministérios, da polícia, da Cruz Vermelha e da Administração de Díli.
O protesto dos militares contestatários visou pressionar os órgãos de soberania a rever a decisão do comandante das Forças de Defesa, brigadeiro-general Taur Matan Ruak, de os afastar das forças armadas.
Aqueles militares mantinham-se voluntariamente fora das suas unidades desde Fevereiro, em protesto contra alegados actos de discriminação dos comandantes, por razoes de natureza étnica.
Os militares contestatários, que se auto-designam "loromonu", são maioritariamente naturais dos dez distritos mais ocidentais de Timor-Leste.
Os restantes três distritos timorenses são designados por "lorosae".
EL.
Lusa/Fim
Terça-feira, Maio 02, 2006
Cerca de seis mil pessoas deslocadas - ONU
Díli, 02 Mai (Lusa) - Cerca de seis mil pessoas continuam fora das suas casas em Díli, a maior parte das quais nas montanhas que rodeiam a capital timorense, devido à instabilidade vivida nos últimos dias, disse hoje fonte da ONU à Lusa.
Durante o fim-de-semana o número de deslocados chegou a 13 mil, precisou a mesma fonte.
Actualmente, somente no Colégio D. Bosco, em Comoro, permanecem mais de mil famílias, de acordo com o padre Adriano.
Entre os outros locais onde estão concentradas pessoas que abandonaram as suas casas na sequência dos violentos confrontos verificados sexta-feira e sábado em Díli e nos subúrbios na parte ocidental figura o antigo quartel-general dos "capacetes azuis" portugueses.
Entretanto o Secretariado do Episcopado Timorense, que congrega as dioceses de Díli e Baucau, apelou hoje "à autoridade competente" que faça uma "séria investigação aos últimos acontecimentos" que resulte na "responsabilização dos criminosos por via judicial".
O apelo surge num comunicado enviado à Agência Lusa, resultante de uma reunião extraordinária dos bispos D. Alberto Ricardo da Silva (Díli) e D. Basílio do Nascimento (Baucau).
Depois de "rejeitar peremptoriamente toda a violência ocorrida nos últimos dias, quer da parte militar quer da civil, lamentando as mortes e todos os prejuízos causados", a hierarquia católica timorense pede a criação urgente de "condições de estabilidade e confiança para que a população aterrorizada volte à sua vida normal".
A necessidade do Estado encontrar uma "solução justa" para os problemas suscitados pelos militares contestatários e a "criação urgente de mecanismos de assistência humanitária" pelo Governo, completam o comunicado da Igreja Católica.
Na sequência do clima de ansiedade que perpassa em Díli, viaturas de som da Polícia Nacional de Timor-Leste têm efectuado passagens por vários bairros da capital, apelando à população que não ceda aos abundantes rumores que circulam, assegurando que as forças de segurança continuarão a garantir a ordem pública.
Esta situação mereceu hoje a atenção do Presidente Xanana Gusmão, que em mensagem à nação, apelou à calma e ao regresso a casa dos que ainda se encontram nas montanhas ou recolhidos nas instituições religiosas.
Xanana Gusmão salientou ter recebido informações do primeiro- ministro Mari Alkatiri, com quem reuniu duas vezes nos últimos dias de que a situação está sob controlo das autoridades, e que solicitou ao chefe do Governo assegurar tão rápido quanto possível o progressivo regresso aos quartéis das unidades da polícias e das forças armadas, porquanto, justificou, "as pessoas ficam assustadas quando vêm a polícia e os militares com armas".
O Presidente apelou ainda aos jovens e aos militares contestatários, em fuga depois dos confrontos violentos de sexta-feira e sábado, que regressem às zonas de origem, onde se deverão apresentar à polícia ou ao chefe da aldeia respectiva.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros também distribuiu hoje um comunicado de imprensa, em que informa terem sido detidas até agora um total 101 pessoas, 13 das quais são militares contestatários.
Os confrontos violentos de sexta-feira sucederam-se a uma manifestação convocada por centenas de militares contestatários, que exigiam, entre outras coisas, a anulação da desvinculação das forças armadas, anunciada pelo brigadeiro-general Taur Matan Ruak.
Os confrontos, iniciados no Palácio do Governo, provocaram o apedrejamento do Palácio do Governo, onde foram queimadas quatro viaturas e duas motocicletas, foram marcados pela destruição do mercado de Taibessi e de 100 casas e lojas em Taci Tolo, na parte ocidental de Díli.
Oficialmente o número de mortos resultante da violência foi de cinco e o de feridos foi de 35.
O porta-voz dos militares contestatários, tenente Gastão Salsinha, entrevistado segunda-feira telefonicamente pela Lusa, disse ter informações que mais de 60 pessoas teriam morrido nos confrontos.
No comunicado distribuído pelo MNE, refere-se que o agente da polícia que foi gravemente ferido à catanada, sexta-feira à tarde, pelos manifestantes, foi hoje evacuado para Darwin, norte da Austrália.
EL.
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Segunda-feira, Maio 01, 2006
"Só confiamos no presidente Xanana" - Tenente Gastão Salsinha
Díli, 01 Mai (Lusa) - O porta-voz dos militares contestatários timorenses, tenente Gastão Salsinha, disse hoje, em entrevista telefónica à agência Lusa, que só confia no presidente Xanana Gusmão e que o governo mente.
"Só confiamos no presidente Xanana. Não confio no governo.
Eles mentem e mataram", afirmou.
Escondido nas montanhas, mas sem especificar em que área, o tenente Gastão Salsinha disse que está acompanhado "de mais de 100 militares" e que não tenciona entregar-se, como apelou domingo o primeiro-ministro, Mari Alkatiri.
"Eles mentem e mataram. Tenho informações que mataram mais de 60 pessoas", acusou.
Oficialmente, as autoridades timorenses continuam a fixar em cinco o número de vítimas mortais e em 35 o de feridos, entre os quais quatro polícias.
O tenente Gastão Salsinha disse que apenas confia no presidente Xanana Gusmão.
"Ele é o nosso presidente. É o nosso comandante supremo. Se ele fica calado, nós também ficamos e continuamos nas montanhas", frisou, salientando que vão continuar a luta a partir das montanhas, mas sem querer entrar em pormenores quanto ao formato dessa luta.
Questionado sobre a alegação das autoridades timorenses quanto à presença do bando Colimau 2000 na manifestação, iniciada no passado dia 24 de Abril, o tenente Salsinha desmentiu a presença de qualquer grupo organizada.
"Além de nós, os peticionários, estavam só os nossos familiares e amigos. São todos nossos simpatizantes", respondeu.
O tenente Gastão Salsinha é a face visível do descontentamento de centenas de militares que se auto-designam "loromonu", ou seja, provenientes dos 10 distritos da parte ocidental de Timor-Leste.
Aqueles militares abandonaram as unidades em Fevereiro e apresentaram-se, desarmados, na Presidência da República, para que Xanana Gusmão ajudasse a pôr cobro às discriminações que alegam serem alvo nas suas unidades.
Esses alegados actos de discriminação são de natureza étnica, perpetrados por comandantes "lorosae", ou seja naturais dos três distritos da parte leste.
O brigadeiro-general Taur Matan Ruak considerou em Março que os 591 militares, ao se manterem fora das suas unidades, se tinham colocado à margem da instituição, pelo que passavam a ser considerados civis, decisão administrativa avalizada pelo governo.
Em duas ocasiões, Xanana Gusmão, em mensagens à nação, criticou a decisão de Taur Matan Ruak e do ministro da Defesa, Roque Rodrigues, considerando que nada tinham feito para arranjar uma solução para os problemas invocados pelos militares contestatários.
Estes convocaram uma manifestação para Díli, iniciada a 24 de Abril, e deram um prazo aos órgãos de soberania para que dessem passos para ultrapassar as discriminações que invocam.
Cinco dias depois, na passada sexta-feira, a manifestação transformou-se em violentos confrontos na zona do Palácio do Governo, que se estendera aos subúrbios da parte ocidental da cidade.
A entrada em cena das forças armadas permitiu inverter para o lado do governo uma situação que, no início, foi marcada por notórias e evidentes dificuldades.
EL.
Lusa/Fim
1 de Maio - Dia do Trabalho
O Dia Mundial do Trabalho foi criado em 1889, por um Congresso Socialista realizado em Paris. A data foi escolhida em homenagem à greve geral, que aconteceu em 1º de maio de 1886, em Chicago, o principal centro industrial dos Estados Unidos naquela época. Milhares de trabalhadores foram às ruas para protestar contra as condições de trabalho desumanas a que eram submetidos e exigir a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias. Naquele dia, manifestações, passeatas, piquetes e discursos movimentaram a cidade. Mas a repressão ao movimento foi dura: houve prisões, feridos e até mesmo mortos nos confrontos entre os operários e a polícia. Em memória dos mártires de Chicago, das reivindicações operárias que nesta cidade se desenvolveram em 1886 e por tudo o que esse dia significou na luta dos trabalhadores pelos seus direitos, servindo de exemplo para o mundo todo, o dia 1º de maio foi instituído como o Dia Mundial do Trabalho.

