Quinta-feira, Junho 29, 2006
Cerca de uma centena de partidários do presidente da República timorense Xanana Gusmão, contidos a cerca de 50 metros dos manifestantes pró Mari Alkatiri por militares australianos, dão as "boas-vindas" com palavras de ordem contra a Fretilin.
Este grupo desfraldou um pano negro onde se pode ler "Alkati go to hell", o que provocou nos manifestantes que estão a entrar na cidade palavras de ordem a favor de Alkatiri e da Fretilin.
Algumas das viaturas dos manifestantes pró-Mari Alkatiri transportam cartazes onde se pode ler "vivas ao secretário-geral, Mari Alkatiri, ao presidente do partido, Francisco Guterres "Lu-Olo", ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Ramos Horta, e ao presidente Xanana Gusmão.
à medida que iam entrando no controlo australiano em Hera, os manifestantes eram sujeitos a uma revista para controlar se transportavam armas.
No interior da cidade, muitas ruas foram cortadas ao trânsito para permitir a passagem da caravana em segurança.
Mais de quatro mil manifestantes, apoiados em cerca de 200 viaturas, entraram hoje às 15:30 (hora local, 07:30 em Lisboa) na cidade de Díli para expressarem o apoio ao Governo, ao partido e à liderança de Mari Alkatiri.
Os manifestantes entraram na cidade pela área da Areia Branca e deverão, sob o olhar atento de dezenas de militares australianos e neo-zelandeses, percorrer algumas ruas da capital antes de se dirigirem para o Palácio das Cinzas, sede da presidência da República, onde pretendem entregar uma petição ao presidente Xanana Gusmão.
Depois do Palácio das Cinzas, os manifestantes dirigir-se-ão para o Palácio do Governo onde serão autorizados a descer das viaturas para participarem numa concentração comício onde intervirão alguns dirigentes, prevendo-se que o Secretário-Geral Mari Alkatiri se lhes dirija.
à cabeça da manifestação vinham vários blindados militares australianos.
A organização da concentração foi concertada na reunião realizada quarta-feira em Díli entre representantes da Fretilin, das forças militares internacionais e da GNR.
Agência LUSA
Quarta-feira, Junho 28, 2006
PR vai nomear com urgência novo governo para preparar eleições
O presidente Xanana Gusmão declarou hoje que a crise em Timor-Leste só será "completamente ultrapassada" com eleições a realizar "logo que possível" e que iniciou diligências para a formação de um novo governo com a "maior urgência".
"Estou consciente de que a crise actual só poderá ser completamente ultrapassada através de eleições livres a realizar logo que possível", lê-se num comunicado do presidente timorense divulgada em Díli.
"Mas o país precisa, entretanto, de ser governado com eficácia e justiça, no respeito pela Lei Fundamental, até estarem criadas condições para marcar a data do acto eleitoral e chamar o povo a decidir", sublinha.
Por isso, refere, é "da maior urgência a formação de um novo governo".
"No âmbito dos poderes que me são conferidos pela (...) Constituição, já encetei diligências adequadas para, no actual quadro parlamentar, procurarmos uma solução estável de governação que se mostre apta a restaurar a paz e a confiança do nosso povo nas instituições democráticas por cujo funcionamento sou eu, como Presidente da República, o primeiro e último responsável", sublinha.
"A aceitação pelo Presidente da República do pedido de demissão do Primeiro-Ministro [Mari Alkatiri] implica, automaticamente, a queda do governo que cessa as suas funções com a nomeação e tomada de posse do novo", lê-se ainda no c omunicado de Xanana Gusmão.
No documento, Xanana Gusmão refere-se também às medidas de excepção que decretou a 30 de Maio, à remodelação governamental que promoveu a 3 de Junho, com a posse de novos ministros da Defesa (José Ramos Horta, em substituição de Ro que Rodrigues) e do Interior (Alcino Baris, em vez de Rogério Lobato), e ao plano de acção que apresentou ao Conselho Superior de Defesa e Segurança.
"Foram instrumentos indispensáveis para assegurar o mínimo de operacion alidade dos serviços públicos essenciais na resposta à situação de catástrofe so cial e política então iminente", sublinha.
"Ouvido o Conselho de Estado, no dia 27 de Junho, prorroguei por mais 30 dias as medidas de excepção em vigor, a fim de prosseguir a urgente reposição da ordem pública e o socorro de emergência às populações deslocadas", acrescenta.
As medidas anunciadas por Xanana Gusmão a 30 de Maio, para vigorar durante 30 dias, incluem "a apreensão de armas, munições e explosivos", "a vigilância de pessoas, edifícios e estabelecimentos" e a "exigência de identificação de qualquer pessoa que se encontre ou circule em lugar público ou sujeito a vigilância policial".
Timor-Leste vive uma situação de crise político-institucional desde o final de Abril, que levou as autoridades de Díli a solicitarem a intervenção de forças policiais e militares de Portugal, Austrália, Nova Zelândia e Malásia.
A violência ocorrida desde então provocou três dezenas de mortos e mais de 145 mil deslocados.
Hoje mesmo, diversas casas e lojas foram queimadas em Díli por grupos d e jovens, antes de milhares de manifestantes que exigiam a demissão de Mari Alkatiri da chefia do governo e a dissolução do Parlamento Nacional terem abandonado a cidade.
A FRETILIN, que tem a maioria no Parlamento (55 dos 88 deputados), anunciou que 30 mil militantes e simpatizantes do partido deverão chegar quinta-feira de manhã a Díli para expressar o seu apoio a Mari Alkatiri.
PNG/EL.
Lusa/Fim
Terça-feira, Junho 27, 2006
PR condiciona dissolução Parlamento a impossibilidade de novo governo
O presidente timorense, Xanana Gusmão, anunciou hoje que vai iniciar "imediatamente" diligências para a formação de um governo no âmbito do "actual quadro parlamentar" e que só dissolverá o Parlamento se isso não for possível.
"Se, apesar de tudo, não for possível [formar] um governo, o Presidente da República considerará a possibilidade de dissolver o Parlamento e antecipar as eleições gerais", lê-se num comunicado da Presidência.
O documento foi distribuído à imprensa ao final da tarde (hora local), horas depois do fim da reunião do Conselho de Estado.
Na reunião, segundo o comunicado, o Conselho de Estado pronunciou-se a favor da extensão, por 30 dias, das medidas de emergência para ultrapassar a crise, decretadas por Xanana Gusmão a 30 de Maio.
EL.
Lusa/Fim
PR condiciona dissolução Parlamento a impossibilidade de novo governo
O presidente timorense, Xanana Gusmão, anunciou hoje que vai iniciar "imediatamente" diligências para a formação de um governo no âmbito do "actual quadro parlamentar" e que só dissolverá o Parlamento se isso não for possível.
"Se, apesar de tudo, não for possível [formar] um governo, o Presidente da República considerará a possibilidade de dissolver o Parlamento e antecipar as eleições gerais", lê-se num comunicado da Presidência.
O documento foi distribuído à imprensa ao final da tarde (hora local), horas depois do fim da reunião do Conselho de Estado.
Na reunião, segundo o comunicado, o Conselho de Estado pronunciou-se a favor da extensão, por 30 dias, das medidas de emergência para ultrapassar a crise, decretadas por Xanana Gusmão a 30 de Maio.
EL.
Lusa/Fim
Mari Alkatiri não foi convocado para Conselho de Estado, gabinete PM
O primeiro-ministro demissionário Mari Alkatiri está ausente da reunião do Conselho de Estado de Timor-Leste, iniciada hoje de manhã (hora local), por não ter sido convocado, disse à Lusa fonte do gabinete do chefe do governo.
"O primeiro-ministro não recebeu nenhuma convocatória para a reunião, por isso não está presente", explicou a mesma fonte contactada pela Lusa.
Mari Alkatiri é o único conselheiro de Estado ausente da reunião convocada para hoje pelo presidente da República logo após ter recebido segunda-feira o pedido de demissão do primeiro-ministro.
A reunião, a terceira desde 30 de Maio, foi convocada sem indicação de agenda, o que acontece pela primeira vez.
O Conselho de Estado, órgão de consulta do Presidente da República, foi convocado "a fim de garantir o bom funcionamento das instituições democráticas e uma gestão eficaz da crise nacional enfrentada pelo país", lê-se num comunicado do gabinete de Xanana Gusmão divulgado segunda-feira.
A Frente Nacional Justiça e Paz, que desde quinta-feira coordena as manifestações em Díli contra o governo, anunciara segunda-feira que mantém a exigência de dissolução do Parlamento Nacional, rejeitando a formação de um novo executivo no actual quadro parlamentar.
Dos 88 deputados ao Parlamento Nacional, 55 pertencem à FRETILIN, partido liderado por Mari Alkatiri.
Segundo a Constituição de Timor-Leste, o Presidente da República só pode dissolver o Parlamento Nacional depois de ouvidos os partidos políticos nele representados e o Conselho de Estado.
Outra fonte, oficial, contactada pela Lusa admitiu que outra das matérias que pode ser debatida na reunião do Conselho de Estado é a eventual prorrogação por 30 dias das medidas de emergência anunciadas a 30 de Maio, por Xanana Gus mão.
As medidas de emergência, anunciadas por Xanana Gusmão numa altura em que Díli vivia uma situação de violência crescente, incluem "a apreensão de armas , munições e explosivos", "a vigilância de pessoas, edifícios e estabelecimentos " e a "exigência de identificação de qualquer pessoa que se encontre ou circule em lugar público ou sujeito a vigilância policial".
Na última reunião do Conselho de Estado, a 21 de Junho, convocado para analisar a situação no país face a denúncias sobre uma alegada distribuição de armas a civis, Xanana Gusmão ameaçou demitir- se se Mari Alkatiri não aceitasse d eixar a chefia do governo.
Desde o início da crise, a 28 de Abril, foram mortas cerca de três deze nas de pessoas numa onda de violência que provocou ainda mais de 145 mil deslocados.
Para pôr termo à violência, as autoridades timorenses solicitaram a intervenção de uma força militar e policial da Austrália, Portugal, Nova Zelândia e Malásia.
EL/JPA.
Lusa/fim
Segunda-feira, Junho 26, 2006
Xanana aceita demissão Alkatiri e convoca Conselho Estado
O Presidente da República de Timor-Leste anunciou hoje que aceitou a demissão do primeiro-ministro, Mari Alkatiri, com efeitos im ediatos e convocou uma reunião do Conselho de Estado para terça-feira.
"A Presidência da República informa que hoje, dia 26 de Junho de 2006, S.E. o Presidente da República recebeu a carta de resignação do dr. Mari Alkatir i das suas funções de primeiro-ministro do governo da República Democrática de T imor-Leste", lê-se num comunicado de três parágrafos divulgado pelo gabinete Xan ana Gusmão.
O presidente timorense, segundo o comunicado, informou Mari Alkatiri de que o seu pedido de resignação "toma efeito a partir do dia de hoje".
"A fim de garantir o bom funcionamento das instituições democráticas e uma gestão eficaz da crise nacional enfrentada pelo país", Xanana Gumsão convoco u o Conselho de Estado para terça-feira, às 09:30 locais (01:30 de Lisboa), adia nta ainda o gabinete do presidente timorense.
Xanana Gusmão saiu ao fim da tarde (hora local) do seu gabinete no Palá cio das Cinzas, em Díli, para a sua residência em Balibar, arredores da capital, sem fazer declarações aos jornalistas.
EL/PNG.
Lusa/Fim
Mari Alkatiri anuncia intenção de se demitir
O primeiro-ministro de Timor-Leste, Mari Alkatiri , anunciou hoje estar pronto a demitir-se do cargo, retomando o seu lugar de deputado.
Numa conferência de imprensa sem direito a perguntas, Mari Alkatiri anunciou estar disposto a demitir-se para evitar a resignação do presidente Xanana Gusmão, retomando o seu lugar no parlamento.
Alkatiri, que falou em tétum, português e inglês, disse igualmente estar disponível para viabilizar um governo de transição.
O anúncio do primeiro-ministro surge um dia depois do Comité Central da FRETILIN ter recusado a renúncia de Mari Alkatiri, como fora exigido pelo presidente Xanana Gusmão, apelando ao diálogo para encontrar uma saída para a crise p olítica do país.
Hoje mesmo um ministro, um vice-ministro e três secretários de Estado do governo timorense iriam anunciar a demissão dos respectivos cargos.
Os demissionários são o vice-ministro da Saúde, Luís Lobato, o ministro da Educação, Armindo Maia, e os três secretários de Estado para a Coordenação d a Região II (Virgílio Smith), da Região III (Egídio de Jesus) e da Região IV (Cé sar Cruz).
A saída destes membros do governo é formalizada menos de 24 horas depois do ministro de Estado, dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação e da Defesa, José Ramos Horta, e do ministro dos Transportes e das Comunicações, Ovídeo Amaral, terem anunciado publicamente que saíam do governo.
Os jornalistas estavam hoje a preparar-se para uma conferência de imprensa do ministro demissionário Ramos Horta, em que este ia explicar as razões da sua saída do governo, quando o próprio Nobel da Paz lhes comunicou que deveriam deslocar-se para a residência do primeiro-ministro, pois este tinha uma "importante declaração" a fazer.
Ramos Horta explicou que tinha acabado de receber uma chamada telefónic a dando conta da conferência de imprensa de Mari Alkatiri.
Interrogado sobre se isso significava que o primeiro-ministro se ia demitir, Ramos Horta respondeu apenas "Sim".
EL.
Lusa/Fim
Domingo, Junho 25, 2006
Ramos Horta pediu demissão
Ramos Horta pediu demissão, mas fica em funções até novo governo
O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste, Ramos Horta, pediu hoje a demissão mas vai manter-se em funções até à formação do novo governo, disse à lusa fonte do gabinete do ministro.
Ramos Horta, que acumula as pastas de ministro de Estado, negócios estrangeiros, Cooperação e defesa apresentou hoje, pelas 17:00 (09:00 em Lisboa), a demissão ao primeiro-ministro Mari Alkatiri, disse à Lusa fonte oficial.
EL/CC.
Lusa/fim
Ramos Horta pediu demissão
Ramos Horta pediu demissão, mas fica em funções até novo governo
O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste, Ramos Horta, pediu hoje a demissão mas vai manter-se em funções até à formação do novo governo, disse à lusa fonte do gabinete do ministro.
Ramos Horta, que acumula as pastas de ministro de Estado, negócios estrangeiros, Cooperação e defesa apresentou hoje, pelas 17:00 (09:00 em Lisboa), a demissão ao primeiro-ministro Mari Alkatiri, disse à Lusa fonte oficial.
EL/CC.
Lusa/fim
Sábado, Junho 24, 2006
Assessora para a Promoção da Igualdade de Alkatiri demite-se
A assessora do Primeiro-ministro Mari Alkatiri para a Promoção da Igualdade, Maria Domingas Alves, demitiu-se hoje do cargo alegando que "o Governo não funciona efectivamente".
"Não posso continuar a trabalhar e servir correctamente as mulheres timorenses num governo que não funciona efectivamente. Não me sinto confortável e segura em continuar a trabalhar nesta situação em que existem muitas alegações ao governo, que comprometem a segurança do povo", salientou.
Maria Domingas Alves, que optou por trabalhar com uma organização não-governamental timorense, a REDE Feto (Rede Mulher), no apoio às mulheres que se encontram deslocadas nos campos de acolhimento, disse à Lusa que tem ouvido muitas queixas entre os timorenses deslocados.
"As mulheres deslocadas queixam-se de que perderam tudo ou que deixaram de ter segurança, e acusam os líderes da nação da situação em que se encontra o país", frisou.
"Se o Governo governasse bem, não havia esta situação", acrescentou Maria Domingas Alves à Lusa, citando as queixas que ouve entre as mulheres que se encontram nos campos de deslocados.
Cerca de 145 mil timorenses (67 mil na capital e 78 mil nos distritos) estão registados como deslocados nas dezenas de campos de acolhimento distribuídos pelo país, na sequência da crise político- militar desencadeada em finais de Abril em Timor-Leste.
Maria Domingas Alves comunicou a decisão ao Primeiro-ministro por telefone, por considerar que não tinha "condições para o fazer pessoalmente".
"Embora fora do Governo, continuo militante da FRETILIN, porque tenho a minha história vinculada a este partido histórico. Sempre aprendi que tem um princípio que a FRETILIN é o povo e o povo é a FRETILIN", concluiu.
Maria Domingas Alves integrou sexta-feira a manifestação defronte do Palácio do Governo na qualidade de membro da REDE feto "para evitar que o Presidente da República pedisse, de facto a sua demissão".
Esta foi a primeira demissão no seio da equipa liderada pelo Primeiro-ministro Mari Alkatiri, desde que o Presidente Xanana Gusmão anunciou que tinha perdido a confiança no chefe do Governo, a quem solicitou que apresentasse a sua demissão do cargo.
Sexta-feira, Junho 23, 2006
Ramos Horta anuncia entendimento político para demissão de Mari Alkatiri
Ramos Horta anuncia entendimento político para demissão de Mari Alkatiri
O ministro da Defesa e dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste, José Ramos Horta, comunicou hoje ao corpo diplomático presente no país que existe um entendimento político em relação à demissão do primeiro-ministro, Mari Alkatiri.
A decisão - avançada esta manhã pela agência Lusa - só deverá ser formalizada amanhã, depois de uma reunião do comité central da Fretilin. O partido indicará então um novo nome para a chefia do Governo, acrescentou a fonte contactada pela Lusa.A reunião de José Ramos Horta com o corpo diplomático decorreu no Palácio do Governo.
Quinta-feira, Junho 22, 2006
Rogério Lobato arrisca pena de 15 anos de prisão
O ex-ministro do Interior de Timor-Leste arrisca uma pena de 15 anos de prisão para os quatro crimes de que é acusado, em que se inclui conspiração e tentativa de revolução, disse o Procurador-Geral da República (PGR) à Lusa.
"Rogério Lobato foi constituído arguido e está a prestar declarações à juíza sobre os quatro crimes de que é acusado:
associação criminosa, posse ilegal de armas, conspiração e tentativa de revolução", acrescentou Longuinhos Monteiro à Lusa.
O PGR adiantou que, face à "gravidade das acusações", o Ministério Público pediu ao tribunal que aplicasse a pena de prisão preventiva, que a confirmar-se será cumprida no Estabelecimento Prisional de Bécora, em Díli.
Longuinhos Monteiro disse ainda à Lusa que Rogério Lobato está a prestar declarações com um advogado oficioso, disponibilizado pelo Estado, mas que dois advogados, um de Portugal e outro de Macau, deverão chegar na próxima terça-feira a Díli para passar a representar o ex-ministro do Interior.
O ex-ministro do Interior apresentou-se voluntariamente no tribunal para prestar declarações, no âmbito do processo de averiguações que lhe foi instaurado na passada terça-feira pelo Ministério Público de Timor-Leste.
Rogério Lobato é acusado de ter distribuído armas a grupos de veteranos da resistência e um processo de averiguações.
As principais acusações foram feitas por Vicente da Conceição "Railos", militante da FRETILIN e veterano da luta da resistência, que acusa o primeiro-ministro Mari Alkatiri de ter dado ordens a Rogério Lobato para constituir grupos civis armados com a missão de eliminar adversários políticos do chefe do governo.
Mari Alkatiri já negou por diversas vezes as acusações de que é alvo, considerando que se trata de uma campanha para fragilizar o governo e a FRETILIN para as eleições de 2007.
Rogério Lobato abandonou o governo timorense um dia depois do presidente da República, Xanana Gusmão, ter sugerido ao primeiro- ministro a demissão dos ministros do Interior e da Defesa.
Os dois ministros em causa demitiram-se sendo substituídos por José Ramos Horta, que passou a acumular a pasta de Negócios Estrangeiros com a do Interior, e por Alcino Baris, que passou de vice- ministro para titular da pasta do Defesa, lugar deixado vago por Roque Rodrigues.
Quarta-feira, Junho 21, 2006
Xanana Gusmão exige demissão de Mari Alkatiri
O presidente timorense exigiu a demissão do primeiro-ministro, Mari Alkatiri, por considerar já não merecer a sua confiança, numa carta enviada ao chefe do governo.
Foto: Lusa
Na carta, Xanana Gusmão refere-se a um programa da série "Four Corners" transmitido pelo canal televisivo australiano ABC, explicando a Mari Alkatiri que no documentário são feitas "graves denúncias sobre o seu envolvimento na distribuição de armas a civis".
"Tendo visto o programa `Four Corners`, que me chocou imensamente, só me resta dar-lhe oportunidade para decidir: ou resigna ou, depois de ouvido o Conselho de Estado, o demitirei, porque deixou de merecer a minha confiança, enquanto Presidente da República", escreve Xanana Gusmão.
"Espero uma resposta sua até às 17h00 de hoje, 20 de Junho de 2006", lê-se na missiva assinada por Xanana Gusmão e que tem como assunto "envio de um documentário do programa "Four Corners".
O documentário de 45 minutos investigou a alegada formação de um grupo armado que terá sido criado pelo ex-ministro do Interior Rogério Lobato, sob ins truções de Mari Alkatiri, para que eliminasse alegados opositores do governo.
A ABC teve acesso a vários documentos confidenciais, incluindo listas d e armas alegadamente entregues ao grupo que é liderado por Vicente da Conceição "Railos" e uma carta do comandante da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL), Pa ulo Martins, a Mari Alkatiri, em que o primeiro alerta, com preocupação, para a distribuição de armas.
O comandante "Railos", veterano da luta de resistência contra a ocupaçã o indonésia, alega ter recebido armas e fardas de uma das unidades de elite da P olícia Nacional, e a missão de eliminar adversários políticos de Mari Alkatiri.
As armas e a missão terão alegadamente sido dadas ao grupo em três ocas iões por Rogério Lobato mediante indicações nesse sentido de Mari Alkatiri, segu ndo "Railos".
O primeiro-ministro timorense tem repetidamente negado as alegações de "Railos", e esta semana, em entrevista à Lusa e RTP, reafirmou a sua posição.
"Eu nunca dei ordens para matar ninguém, antes pelo contrário. Nunca de i armas a ninguém. Tenho a consciência tranquila", afirmou Mari Alkatiri na entrevista.
A questão da alegada distribuição de armas a civis foi analisada hoje n a reunião do Conselho de Estado, órgão de consulta do Presidente da República.
Um dos conselheiros, que solicitou o anonimato, disse à Lusa que alguns dos participantes na reunião se pronunciaram a favor da demissão de Mari Alkati ri, que tem afirmado que só o fará se for esse o desejo da FRETILIN, partido de que é secretário-geral.
Face às intervenções dos conselheiros, Xanana Gusmão considerou, segund o a fonte contactada pela Lusa, que não podia deixar de apresentar à população u ma solução clarificadora da crise.
Perante a posição de Xanana Gusmão, Mari Alkatiri reconheceu a importân cia acrescida do Presidente da República comparativamente ao do chefe do governo e anunciou que iria avaliar junto da direcção da FRETILIN a sua continuidade co mo primeiro-ministro, acrescentou a fonte contactada pela Lusa.
Agência LUSA
Terça-feira, Junho 20, 2006
Missão da ONU em Timor-Leste prolongada
Apoio à força de paz liderada pela Austrália
Face à situação explosiva que reina em Timor-Leste, o Conselho de Segurança da ONU aprovou hoje, por unanimidade, o prolongamento do mandato da missão em Timor-Leste por dois meses, apoiando, assim, a força de paz liderada pela Austrália.
Os 15 membros do Conselho manifestaram «grande inquietação» e apelaram às partes em conflito «para não fazerem uso da violência e participarem no processo democrático».
Recorde-se que o mandato da missão de observação política da ONU, Missão da ONU em Timor-Leste (UNOTIL), agora prolongado até 20 de Agosto, já havia sido prorrogado por um mês a 19 de Maio. O Conselho apoia um pedido do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, feito a Louise Arbour, Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, para abrir um inquérito independente sobre a recente vaga de violência ocorrida no país.
Os conselheiros pediram, ainda, aos eventuais países doadores que «respondam urgentemente e de forma positiva» ao apelo da ONU para uma ajuda humanitária a Timor-Leste.
Desde finais de Maio, dois mil soldados e polícias da Austrália, Malásia, Nova Zelândia e Portugal foram enviados para Timor-Leste para restabelecer a ordem depois dos violentos incidentes que se seguiram a uma decisão tomada em Abril pelo primeiro-ministro timorense, Mari Alkatiri, de afastar 600 militares, ou seja, quase metade do Exército.
Nas últimas semanas, a situação de instabilidade e violência que se vive no país provocou cerca de 130 mil deslocados. Segundo o governo timorense e as Nações Unidas, as pessoas que abandonaram as suas casas se encontram em diversos campos de acolhimento, sobretudo na zona de Díli.
Segunda-feira, Junho 19, 2006
Militares australianos retiveram Duarte Pio após visita ao PR
Duarte Pio esteve retido domingo cerca de meia hora por militares australianos, depois de visitar o Presidente Xanana Gusmão, num incidente que o duque de Bragança considerou exemplar da falta de profissionalismo do contingente australiano estacionado em Timor-Leste.
O incidente verificou-se na descida de Balibar até à capital, quando uma viatura da embaixada de Portugal, devidamente identificada e com matrícula diplomática, foi mandada parar num controlo feito por militares australianos.
"Tinha acabado de fazer uma visita ao Presidente Xanana, e o agente do GOE (Grupo de Operações Especiais, da PSP) que viajava comigo foi intimado pelo militar australiano a entregar a sua pistola.
Não é normal", afirmou D. Duarte Pio.
"'Quero a sua pistola', disse-lhe o militar australiano, e o agente do GOE, muito calmamente respondeu "penso que não'. Enquanto isto, eram muitos os camiões e carros que passavam por nós, e que não era controlados", contou o duque de Bragança em declarações à Lusa.
"Se o objectivo (das tropas australianas) é conter a violência, não são obviamente diplomatas e polícias portugueses que andam a assaltar casas em Díli", frisou.
O contingente australiano foi alvo de muitas críticas, sobretudo nos primeiros dias após a sua chegada a Díli, a 25 de Maio, pela inacção demonstrada perante os actos de violência que se multiplicavam em vários bairros da capital.
Segundo Duarte Pio, o incidente ficou resolvido ao fim de cerca de meia hora, com a viatura da embaixada de Portugal a prosseguir finalmente a viagem de regresso para Díli.
O duque de Bragança deixou hoje Díli após uma estada de quatro dias em Timor-Leste, durante a qual se reuniu, além do Presidente, com o primeiro-ministro, Mari Alkatiri, com o ministro dos Negócios Estrangeiros, José Ramos Horta, e o bispo de Díli, D. Alberto Ricardo da Silva. Visitou ainda a Gráfica Diocesana de Baucau, instituição apoiada pela Fundação D. Manuel II.
"Há um certo desencanto relativamente à presença internacional", salientou o duque de Bragança, num balanço dos contactos que manteve.
Surpreendido com a intensidade da crise timorense, D. Duarte Pio manifestou o desejo de que haja uma "verdadeira reconciliação nacional".
"De facto não faz qualquer sentido este conflito interno. Há muita gente que suspeita de causas externas, de algum país que quer provar que Timor não é governável", afirmou, sem querer entrar em pormenores.
"Suspeito que haja interesses externos que possam ter manipulado algumas pessoas para fazerem estes disparates", disse ainda.
A breve visita que concluiu hoje será compensada pelas férias que pretende fazer em Setembro.
"Saio optimista (quanto à resolução da crise), já reservei quartos (na Pousada de Baucau) para passar férias em Setembro com a família. Antes irei a Bali, ao casamento da irmã mais nova da filha do ex-presidente (indonésio) Sukarno, Megawati Sukarnoputri", revelou.
EL.
Lusa/fim
Domingo, Junho 18, 2006
Selecção portuguesa apela à paz em Timor-Leste a pedido de Xanana
Ricardo Carvalho e Jorge Andrade exibem a faixa de apelo à paz em Timor Foto: LUSA
A selecção portuguesa de futebol fez hoje publicamente um apelo à paz em Timor-Leste, a pedido do Presidente timorense, Xanana Gusmão, durante uma conferência de imprensa realizada no "quartel-general" da equipa em Marienfeld, na Alemanha.
"Timor-Leste klamar Idai Deit, Povu Idai Deit (Timor-Leste uma só alma, um só povo)", era o que se lia na faixa exibida pelos centrais Ricardo Carvalho e Jorge Andrade, os jogadores que hoje prestaram declarações à imprensa.
Segundo o assessor de imprensa da selecção, Afonso de Melo, a faixa foi exibida "a pedido do presidente Xanana Gusmão" e é dedicada "ao momento difícil que se vive em Timor-Leste", em plena crise político-militar.
A selecção portuguesa assegurou ontem um lugar nos oitavos-de-final do Mundial de futebol na Alemanha, ao vencer o Irão, por 2-0, em Frankfurt, e cumpre hoje um treino em Gutersloh, aberto ao público e à comunicação social.
A actual crise em Timor-Leste começou com o despedimento de cerca de 600 militares que se queixaram de alegada discriminação étnica por parte da hierarquia das forças armadas e cujo protesto, em finais de Abril, em Díli, terminou com uma intervenção do Exército.
Na repressão da manifestação foram mortas cinco pessoas, segundo o Governo, mas os ex-militares e outros elementos das forças armadas que entretanto abandonaram a instituição afirmam que morreram cerca de 60 timorenses.
Desde então, segundo a ONU, 37 pessoas morreram e mais de 130 mil pessoas estão deslocadas, distribuídas por campos de acolhimento e instituições ligadas à Igreja Católica.Para restabelecer a segurança no país, as autoridades timorenses pediram a intervenção de uma força militar e policial a Portugal (que enviou 127 efectivos da GNR), Austrália, Nova Zelândia e Malásia.
Timor-Leste, antiga colónia portuguesa anexada pela Indonésia em 1975, viu a sua independência reconhecida pela comunidade internacional em 2002, depois de uma intervenção armada das Nações Unidas e após cerca de dois anos de administração transitória da ONU.
Agência LUSA
Sábado, Junho 17, 2006
Rebeldes timorenses entregaram armas
Um major e 20 homens do seu efectivo entregaram ontem as suas armas às forças australianas estacionadas em Timor Leste, obedecendo a uma ordem do Presidente da República que vê a medida como um passo a caminho da paz. A cerimónia teve lugar na localidade de Maubisse.
O líder dos militares timorenses rebeldes, major Alfredo Reinado, entregou as suas armas às forças australianas, num processo accionado pelo presidente Xanana Gusmão que pode abrir caminho à resolução da crise político-militar no país.
A entrega das armas de Reinado e dos 20 efectivos das forças armadas e da polícia que se mantêm acantonados em Maubisse decorreu naquela vila, a 60 quilómetros de Díli, numa cerimónia em que um enviado da presidência de Timor Leste apresentou um documento que ordenava ao major a entrega da sua arma e as dos seus homens aos militares australianos.
No documento de quatro pontos, intitulado «Ordem de entrega de armamento», Xanana Gusmão salienta a sua condição de chefe de Estado e de comandante supremo das forças armadas e cita o acordo na base da presença no país das forças militares e policiais australianas, a quem atribui a “responsabilidade de monitorar o acantonamento das forças em áreas designadas”.
Xanana Gusmão evoca ainda a sua declaração de 30 de Maio, quando anunciou medidas de emergência, a vigorar por 30 dias, para “ultrapassar a crise”. Debaixo de chuva miudinha, o major Reinado mandou formar os seus 20 homens, e depois de verificar as condições de segurança da sua arma, entregou-a, juntamente com nove carregadores de munições, a um militar australiano.
Foram recolhidas 12 armas automáticas, três pistolas e muitas munições. As armas foram colocadas num contentor colocado no pátio exterior da Pousada de Maubisse, onde teve lugar a cerimónia. Questionado pelos jornalistas sobre o seu futuro, o major disse que pretende “ficar por aqui e aguentar. Esperar para ver o que acontece”.
Reinado negou ter negociado com Xanana Gusmão a entrega da arma, frisando que não tem capacidade para negociar.
“Recebi uma ordem do meu comandante supremo e cumpri-a”, vincou.
Questionado sobre a continuação de Mari Alkatiri à frente do governo, o major disse tratar-se de uma questão que “cabe aos políticos resolver”.
O desarmamento dos militares rebeldes era uma condição para a realização de um diálogo alargado para resolver a crise em Timor Leste e já foi saudado pelo primeiro-ministro, Mari Alkatiri, como “um bom começo para estabilizar o país”, acrescentando que “não pode haver armas nas mãos de civis ou pessoas que não pertençam a instituições como as Falintil ou a Polícia Nacional de Timor Leste”.
Sexta-feira, Junho 16, 2006
Líder dos militares rebeldes entregou armas aos australianos
O líder dos militares rebeldes timorenses, o major Alfredo Reinado, foi o primeiro a entregar a sua arma aos militares australianos, hoje, em Maubisse, no âmbito do processo de entrega de armas accionado pelo Presidente da República. O processo começou a 60 quilómetros de Díli, na pousada de Maubisse, onde o major Reinado e outros 20 militares e polícias estão acantonados há várias semanas.
O armamento foi recebido pelo pelotão de militares australianos no pátio exterior da pousada de Maubisse.
O processo de entrega de armas dos militares rebeldes deverá ser seguido também em Gleno, onde estão acantonados os restantes militares rebeldes liderados pelos majores Marcos Tilman e Alves Tara.
Hoje de manhã (hora local), o comandante das forças australianas em Timor-Leste, o brigadeiro Mick Slater, confirmou à imprensa que a entrega de armas começaria em Maubisse. "Esperamos receber entre 40 e 50 armas", acrescentou o brigadeiro Slater.
O início da entrega das armas tinha sido anunciado ontem por Marcos Tilman, outro oficial rebelde, e foi depois confirmado pelo comandante das forças australianas.
O anúncio foi feito cerca de 24 horas depois de o Presidente timorense, Xanana Gusmão, ter proclamado, numa mensagem ao Parlamento, que tinha chegado a hora de se passar à segunda fase da presença das forças militares internacionais, com o seu desdobramento para o interior do país.
Este movimento representa a ampliação da missão de manutenção da ordem pública pelos efectivos da GNR, por enquanto circunscritos ao bairro de Comoro, em Díli.
Efectivos militares e policiais da Austrália, da Malásia, da Nova Zelândia e de Portugal, num total de cerca de dois mil homens, começaram a chegar no passado dia 25 de Maio a Timor-Leste, correspondendo a um pedido das autoridades timorenses para ajudarem a restabelecer a lei e ordem públicas, face à desintegração da Polícia Nacional e às divisões no seio das Forças Armadas.
Quanto ao ex-tenente Gastão Salsinha, porta-voz dos cerca de 600 indivíduos que subscreveram uma petição a denunciar alegadas práticas discriminatórias no seio das Forças Armadas timorenses, o major Marcos Tilman asseverou que "eles não têm armas nenhumas".
"Eles não têm armas. Quem as tem somos nós, eu, major Tara e os nossos homens e o grupo do major Alfredo Reinado", acrescentou.
Lusa
Quinta-feira, Junho 15, 2006
Primeiro Ministro Timorense nega estratégia para eliminar opositores
O Primeiro-ministro timorense desmente que a Fretilin esteja a armar grupos com o objectivo de eliminar e intimidar membros da oposição ao Governo.
Mari Alkatiri admite que a distribuição de armas à população possa ter servido para reforçar a capacidade de resposta da polícia, por causa dos recentes confrontos em Díli.
"A polícia, em qualquer parte do mundo, precisa de colaboração das populações para melhor fazer o seu trabalho", justificou o governante, acrescentando "armar pessoas para perseguir e matar outras, isto é propaganda".
Em declarações à enviada da RR ao país, Alkatiri nega o envolvimento do seu irmão, mas diz que o antigo ministro do Interior, também implicado do caso e que foi demitido na sequência dos incidentes, deve dar explicações. A denúncia desta situação partiu de pessoas que estão numa propriedade de Mário Carrascalão. À RR, o líder do PSD timorense e antigo governador de país, contou que tinha conhecimento da intenção de se "liquidar" os opositores ao Governo, onde ele se inclui. Mário Carrascalão diz que perante as suspeitas, Alkatiri deve demitir-se para permitir uma investigação independente.
Quarta-feira, Junho 14, 2006
Timor-Leste: A visão de Ana Gomes
ONU não regressa para já
Nos próximos seis meses as Nações Unidas não vão enviar forças para Timor-Leste. A ex-embaixadora de Portugal na Indonésia comenta.
Ana Gomes considera que o anúncio do Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, não surpreende.
"Não me surpreendem porque sei que, independentemente da vontade do Secretário-Geral e das suas recomendações, quem determina são os membros do Conselho de Segurança e designadamente os Estados Unidos", disse.
A actual eurodeputada socialista lembra que determinante nesta altura "é o que os timorenses pensam e o que transmitiram ao Conselho de Segurança e o que pediram às Nações Unidas".
"A questão que se põe é a do modelo ou formato da missão de imposição de paz e a questão será se se trata de uma missão de "capacetes azuis" ou se se trata de uma missão internacional como em 1999", acrescenta.
Terça-feira, Junho 13, 2006
GNR vai distribuir em Díli alimentos doados pela Fundação Oriente
A Fundação Oriente (FO) doou hoje 30 toneladas de alimentos de primeira necessidade para distribuição em bairros de Díli, numa acção que estará a cargo da GNR, disse à Lusa fonte daquela organização não-governamental portuguesa.
"Os militares da GNR disponibilizaram-se imediatamente para garantir a distribuição dos alimentos pelos mais carenciados", assinalou Álvaro Antunes, delegado da FO em Timor-Leste.
O lote de bens entregues é constituído por 20 toneladas de arroz, 2.500 litros de óleo alimentar, uma tonelada de açúcar, 40 mil refeições de massas instantâneas e 10 mil enlatados.
Na cerimónia de entrega dos alimentos à guarda da GNR esteve o embaixador de Portugal, João Ramos Pinto, que considerou que a participação da GNR na distribuição dos bens alimentares "vai aproximar ainda mais a população da GNR".
"Mas acho que eles (GNR) não precisam de ajuda para se aproximarem da população, porque essa relação já é antiga. Será mais um gesto de que a GNR está aqui para ajudar o povo de Timor-leste", frisou.
O comandante operacional dos 127 efectivos da GNR, capitão Gonçalo Carvalho, salientou que os alimentos vão ajudar a colmatar uma grande carência dos refugiados, "que, além dos problemas sanitários, têm muitos problemas de alimentação. Passa-se alguma fome nesses campos".
Os 127 efectivos da GNR encontram-se em Timor-Leste no quadro do pedido de ajuda formulado pelas autoridades timorenses para ajudar a restabelecer a paz e ordem públicas, no quadro da violência que se regista no país desde finais de Abril e que provocou já mais de 30 mortos e de uma centena de feridos, além de mais de 100 mil pessoas deslocadas.
Agência LUSA
Segunda-feira, Junho 12, 2006
Portugal informa parceiros europeus sobre situação em Timor-Leste
Lisboa quer que os países da UE com assento no Conselho de Segurança apoiem um maior envolvimento da ONU
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Diogo Freitas do Amaral, vai informar os seus homólogos da União Europeia sobre a situação em Timor-Leste, numa reunião hoje, no Luxemburgo, dedicada à preparação da próxima Cimeira Europeia.
Portugal pretende, principalmente, que os países da União Europeia com assento no Conselho de Segurança das Nações Unidas apoiem um maior envolvimento desta organização em Timor-Leste, segundo fontes diplomáticas, sexta-feira, em Bruxelas.
Portugal pretende, principalmente, que os países da União Europeia com assento no Conselho de Segurança das Nações Unidas apoiem um maior envolvimento desta organização em Timor-Leste, segundo fontes diplomáticas, sexta-feira, em Bruxelas.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas reúne-se terça-feira, em Nova Iorque, para analisar a situação em Timor-Leste e, segundo o semanário Expresso, o ministro dos Negócios Estrangeiros deste estado, José Ramos Horta, estará presente para explicar a situação no país.
Na reunião deverá ser analisado um relatório do Secretário-geral, Kofi Annan, sobre a futura presença da ONU no território para substituir a actual missão no território, a UNOTIL, cujo mandato termina no próximo dia 20.
Espera-se que Annan advogue agora a presença de um grande número de tropas e polícias da ONU em Timor-Leste para assegurar a paz e a estabilidade.
Todavia, os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE irão dedicar a maior parte da reunião de hoje à preparação do encontro dos chefes de Estado e de Governo europeus que se realiza em Bruxelas no final da semana, quinta e sexta-feira.
Os 25 estão de acordo em prosseguir a "reflexão" sobre o que fazer com a Constituição Europeia colocada no "congelador" há um ano depois de a França e a Holanda terem decidido não ratificar o texto.
Segundo fontes diplomáticas, as questões mais delicadas de resolver ficarão para a Cimeira Europeia, nomeadamente sobre quem é que irá organizar a primeira tentativa, daqui a um ano, de resolução do problema.
Agência LUSA
Domingo, Junho 11, 2006
ONU vai decidir sobre missão em Timor Leste
As Nações Unidas só vão decidir sobre o futuro da sua presença em Timor-Leste no dia 20, informaram hoje fontes diplomáticas na ONU.
O Conselho de Segurança vai reunir-se esta terça-feira, dia 13, para discutir a situação em Timor-Leste, mas as fontes frisaram que uma decisão sobre a presença da ONU no país só será tomada numa segunda reunião, dia 20.
Precisamente nesse dia expira o mandato da actual missão em Timor-Leste, UNOTIL.
Um porta-voz da ONU observou, este fim-de-semana, ser agora "bastante claro" que a ONU terá de aumentar a sua presença em Timor.
O enviado especial da ONU, Ian Martin, reuniu-se no sábado com o Secretário-Geral, Kofi Annan, para o informar sobre a situação e o futuro da presença da ONU no país.
Segundo o porta-voz, compete ao Conselho de Segurança decidir sobre essa questão, mas "obviamente" Annan vai fazer recomendações.
"É, no entanto, óbvio que a ONU terá de reconsiderar e provavelmente terá de ampliar a sua posição em Timor", acrescentou.
Ao deixar Timor-Leste na semana passada, no final de uma visita de avaliação de nove dias Martin declarou que todos no país acreditam ser necessária uma maior presença da ONU.
As Nações Unidas têm vindo a reduzir a sua presença em Timor e no mês passado Annan propôs que a UNOTIL fosse substituída por uma "pequena representação integrada" por um período de 12 meses.
Essa missão teria apenas 25 "conselheiros policiais" e 10 "oficiais militares de ligação".
A eclosão da violência pouco depois de essa proposta ter sido apresentada levou a que o Conselho de Segurança prolongasse por um mês o mandato da UNOTIL, aguardando um relatório de Annan sobre a situação em Timor para decidir sobre o futuro envolvimento no território.
Depois de 25 de Maio o Conselho de Segurança "saudou" a decisão da Austrália, Portugal e Malásia de enviarem forças para Timor- Leste a pedido do governo deste país, não se comprometendo, contudo, directamente, com a presença militar ou policial no território.
Antes da eclosão da violência, alguns países membros do Conselho de Segurança tinham manifestado a sua oposição à contínua presença de uma missão especial da ONU em Timor.
No entanto, analistas consideram que o Conselho de Segurança não terá agora alternativa senão apoiar o fortalecimento da missão com forças militares e policiais.
Agência LUSA
Xanana Gusmão encontra-se hoje com porta-voz dos peticionários
O Presidente Xanana Gusmão deverá falar hoje com o porta-voz dos 595 subscritores da petição que desencadearam a actual crise político-militar em Timor-Leste, disse o major Marcos Tilman, um dos militares rebeldes.
Contactado telefonicamente a partir de Díli, o major Marcos Tilman confirmou que o encontro se deverá realizar em Balibar, na residência particular de Xanana Gusmão. "Estivemos reunidos sábado, eu, o major Alves Tara e o tenente Gastão Salsinha a preparar este encontro", precisou.A Agência Lusa contactou o gabinete do Presidente da República, que se escusou a confirmar a realização do encontro.
Xanana Gusmão já se tinha encontrado a 13 de Maio com o major Alfredo Reinado, líder dos militares rebeldes e, na sequência da manifestação organizada pelo major Alves Tara, falou com este último a 6 de Junho.
Na ocasião, o major Tara entregou ao chefe de Estado um documento em que os manifestantes, reclamando representar os dez distritos "loromonu" (da parte ocidental do país), exigiam no prazo de 48 horas a dissolução do Parlamento e a demissão do primeiro-ministro Mari Alkatiri, com a formação de um governo de transição, a quem caberia a organização de eleições antecipadas no prazo de seis meses.
Hoje, Marcos Tilman salientou que os revoltosos decidiram "esperar o tempo que o Presidente precisa para tentar resolver a situação". Questionado sobre quanto tempo mais vão esperar, respondeu que "não há uma data precisa. Ele (Xanana Gusmão) não deu um prazo, pelo que aguardamos pelas suas indicações".
Entretanto, Marcos Tilman confirmou ainda que militares australianos se mantêm junto dos seus homens, e desmentiu que esteja em curso qualquer processo de entrega de armas. "Nós não vamos entregar as nossas armas. Quanto aos australianos, eles estão a coordenar connosco os nossos movimentos", acrescentou.
A reunião de Xanana Gusmão com Gastão Salsinha, e as anteriores que o ministro da Defesa (pasta que acumula com a dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação), José Ramos Horta, manteve com os militares rebeldes visa preparar a realização de um "encontro de todas as partes envolvidas" para a resolução da crise político-militar, disse à Lusa outra fonte ligada ao processo. "Este processo é liderado pelo Presidente e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros", frisou fonte do gabinete de Ramos Horta.
Questionada sobre quando se realizará o encontro com representantes de todas as partes militares envolvidas, a mesma fonte salientou "que têm que ser dados mais uns passos", não se querendo comprometer com datas.
Entretanto, a situação em Díli continua a ser marcada pela calma. De acordo com números divulgados no final da semana pelo governo timorense, entre 70 e 80 mil pessoas continuam refugiadas nos 55 campos de alojamento transitórios distribuídos pelo distrito.
O país vive uma situação de instabilidade e violência desde o final de Abril, que já provocou mais de 20 mortos e de 100 feridos, o que levou as autoridades timorenses a solicitarem a Portugal, Austrália, Nova Zelândia e Malásia o envio de forças militares e policiais para restabelecer a segurança no país.
A crise começou a desenhar-se quando uma manifestação convocada por 595 elementos das forças armadas, subscritores da petição a alegar práticas discriminatórias no seio da instituição militar, degenerou a 28 de Abril em confrontos violentos.
Portugal mantém no terreno 127 efectivos da GNR, que iniciaram este fim-de-semana a sua missão de manutenção da ordem pública no bairro de Comoro, que será progressivamente alargada a toda a capital timorense.
Diz o major Marcos Tilman, um dos militares rebeldesTimor-Leste.
11.06.2006 - 09h30 Lusa
Sábado, Junho 10, 2006
10 de Junho: As comemorações em Macau e Timor-Leste
Foram bem diferentes os momentos vividos neste 10 de Junho em Macau e Timor-Leste, ambos antigos territórios administrados por Portugal. A crise em Díli não permitiu os festejos habituais.
A tradicional recepção comemorativa do Dia de Portugal promovida pelo embaixador português em Timor foi cancelada este ano devido à instabilidade na capital timorense, disse hoje à agência Lusa o diplomata João Ramos Pinto.
O embaixador referiu que se "optou por um almoço com funcionários da embaixada, onde foram lidas as mensagens do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, e do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, António Braga".
Outra iniciativa da embaixada foi a colocação das duas mensagens na página na Internet da representação diplomática portuguesa e a sua distribuição nos bairros onde residem os professores portugueses.
Dados divulgados na sexta-feira pelo Governo timorense apontam para que entre 70 e 80 mil pessoas estejam em 55 campos de deslocados criados no distrito de Díli, com outros 62 mil nos restantes distritos de Timor-Leste.
Governante timorense pede investigação urgente
Ramos Horta solicita uma investigação urgente sobre a alegada formação de um "esquadrão da morte" para intimidar e eliminar opositores de Mari Alkatiri.
De acordo com o canal australiano ABC, cerca de 30 antigos membros das Falintil (guerrilha timorense) terão sido recrutados e armados no início de Maio, pelo então ministro do Interior, sob instruções de Mari Alkatiri, com o objectivo de intimidar e até eliminar opositores políticos.
Mari Alkatiri afirma que esta é mais uma forma de o desacreditar e, assim, já rejeitou que a FRETILIN tenha um grupo armado clandestino e que tenha ordenado a distribuição de armas a civis.
Já o ministro dos Negócios Estrangeiros e da Defesa timorense disse ao canal televisivo ter ouvido rumores sobre a alegada entidade do grupo, mas considerou-os "inacreditáveis".
Apesar de não acreditar na sua existência, Ramos Horta admite que "as alegações" devem ser alvo de uma investigação independente, levada a cabo por timorenses e internacionais, por iniciativa do Presidente da República, Xanana Gusmão.
O chefe da diplomacia australiana, Alexander Downer, já disse que estas afirmações não passam de alegações.
Downer assegurou que "seria completamente inaceitável para um primeiro-ministro timorense ou qualquer outro agir de uma forma que é ilegal e que cai fora dos limites da Constituição. Se houver provas, não apenas alegações, mas se houver provas as autoridades devem lidar com isso".
Sexta-feira, Junho 09, 2006
Comissão Europeia desbloqueia 18 milhões de euros para ajudar Timor-Leste
A Comissão Europeia e o Governo de Timor-Leste assinaram hoje um acordo que prevê a atribuição de 18 milhões de euros para a redução da pobreza no país. Num comunicado divulgado em Bruxelas, a Comissão salienta que o acordo representa uma estratégia para Timor-Leste que vai ser aplicada até 2007.
A verba destina-se a projectos financeiros para reduzir a pobreza em todos os sectores e regiões e promover o crescimento económico de forma "equitativa e sustentável", através da melhoria dos sectores da saúde e da educação e do bem-estar da população, segundo a Comissão Europeia.
O outro sector prioritário é a capacidade de construção institucional, para que as autoridades timorenses alcancem uma real capacidade nacional de planeamento, gestão financeira e melhoramento dos serviços prestados pelas instituições públicas.
Dos 18 milhões de euros, 12 milhões destinam-se ao desenvolvimento das zonas rurais e os restantes seis milhões a ajudar o Governo a gerir os seus recursos, incluindo meios de cooperação técnica que visam ajudar na aplicação da verba concedida.
Dois terços da população de Timor-Leste vivem em áreas rurais, onde 40 por cento da população é pobre, em contraste com os 14 por cento nas cidades.
"A União Europeia confirma o seu compromisso como parceiro da população e do Governo de Timor-Leste e considera que a ajuda só pode produzir resultados se a reconciliação for alcançada", afirmou o presidente da Comissão Europeia, numa mensagem enviada por ocasião da assinatura do documento, na qual expressa o "total apoio e solidariedade" para com a jovem nação.
"Todas as partes envolvidas devem comprometer-se a contribuir para o restabelecimento da ordem pública, fazendo todos os esforços para encontrar um solução construtiva e pacífica para a actual crise dentro do total respeito da Constituição de Timor-Leste", acrescentou Durão Barroso.
O comissário europeu do Desenvolvimento e Ajuda Humanitária, Louis Michel, assegurou que Bruxelas "continuará a assistir e a acompanhar Timor-Leste nos seus esforços contínuos para construir um novo Estado independente e democrático, respeitador do Estado de Direito".
Esta ajuda - esclarece a Comissão Europeia - já estava prevista no âmbito da entrada de Timor-Leste no acordo de Cotonou, em Dezembro de 2005, e não surge na sequência da actual instabilidade que se vive no território.
No entanto, atendendo às "necessidade urgentes" de Timor-Leste, o gabinete da Ajuda Humanitária da Comissão Europeia enviou na semana passada uma missão ao terreno para avaliar a situação em coordenação com outros doadores e agências, estando a trabalhar na concessão de uma "resposta apropriada".
Após a cerimónia de assinatura do documento, o primeiro-ministro timorense, Mari Alkatiri, reuniu-se com o chefe de Departamento da Região do Pacífico da Direcção-Geral do Desenvolvimento da Comissão Europeia, Valariano Diaz, com quem falou sobre "a actual situação do país e as próximas acções a desenvolver para o restabelecimento da normalidade" no território, segundo um comunicado do executivo timorense.
Quinta-feira, Junho 08, 2006
Quarta-feira, Junho 07, 2006
Máquina administrativa timorense muito afectada pela crise
A máquina administrativa do Estado timorense está a ser muito afectada pela crise que afecta o país há semanas, com alguns ministros a trabalharem em casa, disse hoje à Lusa a ministra Ana Pessoa.
A ministra de Estado e da Administração Estatal reconheceu que "os funcionários públicos estão naturalmente assustados com as casas queimadas e o estrangulamento dos transportes, pelo que não podem vir trabalhar".
"A situação nos distritos é substancialmente diferente. As administrações dos distritos e dos subdistritos está a trabalhar normalmente. A única excepção é Bobonaro [sudoeste de Díli, junto à fronteira com a Indonésia], porque no passado sábado o [militar rebelde] major Alves Tara apareceu em Maliana, armado, e ameaçou as pessoas, que deixaram de trabalhar", acrescentou.
Ana Pessoa adiantou que no caso do seu Ministério, ordenou que fosse feito um levantamento das necessidades dos funcionários que perderam tudo com a destruição das suas casas.
Nas últimas semanas, vários departamentos oficiais, incluindo ministérios, designadamente gabinetes de membros do governo, foram saqueados, o que aumentou o receio por parte dos funcionários públicos em regressarem ao trabalho.
Estão neste caso os ministérios do Desenvolvimento, da Agricultura, Florestas e Pescas, dos Recursos Naturais, Minerais e da Política Energética e o da Justiça, bem como o Tribunal de Recurso, a Procuradoria-Geral da República e o Quartel-General da Polícia Militar, além de armazéns do governo.
Para contornar as dificuldades, alguns ministros trabalham em casa, com o é o caso de Estanislau da Silva, ministro da Agricultura.
No caso do Ministério da Educação e da Cultura, está prevista para quinta-feira uma reunião com os dirigentes máximos deste departamento para ser tomada uma decisão final sobre a manutenção ou não do dia 19 de Junho como data dos exames nacionais.
Há cerca de três semanas, em declarações à Lusa, Domingos Doutel Soares , chefe de gabinete do ministro da Educação, salientou que apesar de cerca de 40 por cento das escolas públicas do distrito de Díli não terem então normalizado a sua actividade, o calendário académico não seria alterado.
"O calendário académico não vai ser alterado, mas para quem não possa fazer a primeira chamada dos exames nacionais, marcados para 19 de Junho, existe ainda a possibilidade da segunda chamada, a realizar semanas depois", acrescentou então.
Timor-Leste possui cerca de 12 mil funcionários públicos, total a que importa depois acrescentar os militares, polícias e os quadros dos institutos públicos.
Desde o final de Abril, Timor-Leste vive a sua pior crise política e institucional desde que se tornou independente há quatro anos, que levou as autoridades de Díli a pedirem a intervenção de uma força militar e policial a Portugal, Austrália, Nova Zelândia e Malásia.
Nas últimas semanas, cerca de duas dezenas de pessoas foram mortas em confrontos entre grupos rivais e dezenas de casas e edifícios públicos foram saqueados e incendiados em Díli.
O governo timorense e a ONU calculam que mais de 130 mil timorenses abandonaram as suas casas devido à onda de violência, encontrando-se em campos de acolhimento dentro e fora de Díli.
Agência LUSA
Terça-feira, Junho 06, 2006
Petição entregue a Xanana Gusmão exige demissão Alkatiri e governo de transição
Milhares de manifestantes anti-governamentais exigiram hoje em Díli ao presidente Xanana Gusmão a dissolução do parlamento, e consequente demissão do governo, e a formação de um executivo de transição para preparar eleições antecipadas.
As reivindicações constam de uma petição entregue a Xanana Gusmão pelo major Augusto Tara, um dos militares rebeldes e um dos organizadores da manifestação contra o primeiro-ministro, Mari Alkatiri.
No documento, os manifestantes pedem a Xanana Gusmão que dissolva o Parlamento Nacional e consequentemente demita o governo de Mari Alkatiri, líder da FRETILIN.
Os manifestantes pedem ainda ao Presidente da República que nomeie um Governo de Transição para, num prazo de seis meses, preparar eleições antecipadas ao Parlamento Nacional.
A petição foi entregue a Xanana Gusmão pelo major Tara, porta-voz dos manifestantes, que foi recebido no Palácio das Cinzas pelo presidente timorense.
Após uma reunião com o major Tara, Xanana Gusmão saiu do Palácio das Cinzas para se dirigir aos manifestantes, apelando para que acabe a violência em Timor-Leste.
Os manifestantes começaram entretanto a abandonar a zona do Palácio das Cinzas, centro de Díli, cumprindo o pedido de Xanana Gusmão para que regressassem às suas casas.
Agência LUSA
Segunda-feira, Junho 05, 2006
Polícias internacionais em Timor-Leste querem coordenação mas sem comando único
As forças policiais portuguesas, australianas e malaias em Timor-Leste poderão criar uma estrutura de coordenação, mas actuarão sem um comando único, disseram hoje à Agência Lusa, em Díli, fontes ligadas ao processo.
A questão foi debatida por responsáveis da GNR, da Polícia Federal australiana e da polícia da Malásia, que nas últimas 48 horas intensificaram negociações em Díli para definir a forma e o método de actuação das respectivas forças.
Fontes daquelas polícias disseram à agência Lusa que há uma aproximação de posições no intuito de definir a estrutura em que as três forças actuarão.
A estrutura de coordenação a criar integraria oficiais de ligação das forças policiais dos três países, mas sem que "qualquer um deles assuma o comando geral", disse à Lusa fonte da GNR.
"Essa estrutura determinaria a melhor disposição das forças no terreno, aproveitaria os recursos e as especialidades de cada força, reportando ao ministro do Interior e, posteriormente e com base nos acordos com as autoridades timorenses, ao primeiro-ministro e Presidente da República", explicou a mesma fonte.
Este foi já o tema central de uma reunião hoje, em Díli, entre os diplomatas dos três países, responsáveis pelas respectivas forças de polícia e o ministro da Defesa, José Ramos-Horta, descrita por fontes contactadas pela Lusa como "bastante positiva".
Determinantes para a concretização deste modelo serão duas reuniões agendadas para terça-feira, uma primeira "mais técnica" com os responsáveis pelas forças e outra, "mais política", com o recém-empossado ministro do Interior, Alcino Baris.
Além dos 120 efectivos da GNR que chegaram domingo a Timor-Leste, encontram-se no país cerca de 70 polícias australianos e mais de 200 da Malásia.
Esse número poderá aumentar significativamente, nomeadamente do lado da Austrália, que já planeou o envio de mais agentes policiais.
A presença destas forças de polícia em Timor-Leste resultou de um pedido das autoridades timorenses para pôr termo à onda de violência que afecta sobre tudo Díli desde há mais de um mês, e que já provocou mais de duas dezenas de pessoas e centenas de feridos.
A força internacional inclui também mais de 2.000 militares australianos, neozelandeses e malaios.
O sucesso das negociações sobre a actuação das forças de polícia depende, em grande parte, de um recuo da parte australiana, que pretendia, segundo confirmaram à Lusa fontes policiais daquele país, assumir o papel de comando de uma nidade de gestão da acção policial dos três países.
Ao nível militar, um responsável máximo australiano comanda as suas tropas bem como as da Nova Zelândia e da Malásia.
O texto do acordo assinado entre Camberra e Díli para o envio de militares e polícias daquele país alude a uma estrutura de comando militar chefiada por um "comandante da força" e uma estrutura policial chefiada por um "comissário de polícia", ambos australianos.
As autoridades australianas argumentam que o comando, e à semelhança do que tem ocorrido em situações idênticas noutros países, deve ficar "nas mãos de quem fez o maior investimento".
Contactado pela Lusa, o comandante do contingente policial australiano em Timor-Leste, Steve Lancaster, recusou-se a tecer qualquer comentário sobre as negociações, bem como no que toca ao número de agentes já no terreno.
"Falaremos no momento certo, e este não é o momento", afirmou, limitando-se apenas a explicar que "se está numa fase de avaliação" da situação.
Portugal, primeiro, e posteriormente a Malásia, terão já feito saber que não defendem a opção australiana, apostando em vez disso numa "unidade de coordenação com oficiais de ligação das três forças".
Ainda que militarmente a Malásia aceite o comando australiano, no caso policial Kuala Lumpur "aproxima-se da posição da GNR", preferindo uma "coordenação" e não uma estrutura de comando "piramidal", com "um australiano à cabeça", disse um responsável malaio.
Responsáveis da GNR no terreno disseram à Lusa que essa opção é a mais "correcta", até porque as forças dos três países se complementam, mantendo competências e responsabilidades distintas.
No caso do contingente australiano, a maioria dos efectivos policiais é da área da investigação criminal, os da Malásia de cariz de "policiamento civil e de rua" e, no caso da GNR, de intervenção rápida.
A concretizar-se, a estrutura conjunta de coordenação poderá mais tarde vir a englobar também uma eventual força policial neozelandesa.
Fonte diplomática neozelandesa disse à Lusa que uma equipa policial de Auckland chega terça-feira a Díli para analisar um eventual envio de efectivos, uma decisão que será tomada apenas depois de contactos com as autoridades timorenses.
Seja como for, a fonte garantiu que a confirmar-se o envio, os polícias neozelandeses seriam "comunitários" e estariam desarmados, "como aliás actuam na própria Nova Zelândia".
Ainda que o modelo de actuação não esteja definido, a GNR começou já a actuar em Díli ao abrigo do acordo assinado por Portugal e Timor-Leste, para já de forma limitada com patrulhas na cidade.
A actuação será consolidada nos próximas dias quando chegarem ao país as viaturas e o restante equipamento e, posteriormente, após a instalação no quartel, que funcionará no Centro de Estudos Aduaneiros, no bairro de Caicoli, centro de Díli.
Agência LUSA
Domingo, Junho 04, 2006
Ex-ministro do Interior eleito vice-presidente da Fretilin
O ex-ministro do Interior de Timor-leste Rogério Lobato foi hoje eleito, por unanimidade, vice-presidente da Fretilin, o partido no poder em Timor-leste.
Rogério Lobato, que se demitiu esta semana depois de uma sugestão nesse sentido do presidente timorense, Xanana Gusmão, foi eleito na reunião de hoje do Comité Central da Fretilin, onde foram ainda eleitos os membros da comissão política nacional.
Na mesma reunião foram eleitos como secretários gerais adjuntos José Reis, que ocupa o cargo de secretário de Estado da Região Um e José Manuel Fernandes, deputado da Fretilin.
Os ministros timorenses da Defesa, Roque Rodrigues, e do Interior, Rogério Lobato, apresentaram a demissão na quinta-feira, na sequência de um pedido do presidente timorense.
Nesse dia, Rogério Lobato assumiu a responsabilidade pela situação no país e, em particular, pela "desagregação do comando- geral" da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL).
"Eu era o responsável político. Como ministro do Interior, como responsável político, tenho de assumir a responsabilidade. Foi por isso que apresentei a minha demissão", disse Rogério Lobato, contactado telefonicamente pela Lusa.
Agência LUSA
Contingente da GNR recebido em festa pela população de Baucau
Centenas de populares receberam com vivas a Portugal e à GNR os 120 elementos do contingente militar português, que chegaram, em voo civil ao aeroporto de Baucau, a segunda maior cidade de Timor-Leste.
Momentos depois do avião Naughton Simao da Euroatlântic se fazer à pista, um pequeno grupo de 20 pessoas foi engrossado por centenas de outros, que correram para próximo da pista, com cartazes de boas vindas e bandeiras de Timor-Leste e de Portugal.
Entre as individualidades presentes no local contavam-se o embaixador de Portugal em Timor-Leste, João Ramos Pinto, o ministro dos Transportes e das Comunicações, Ovídio Amaral, e o administrador do distrito de Baucau, Luís Aparício.
à chegada, e na cerimónia de boas vindas, as autoridades timorenses presentearam o comandante do contingente português, capitão Gonçalo Carvalho, e o embaixador português com uma selena, um pano tradicional timorense.
Algumas pessoas aproximaram-se depois dos militares, que transportam consigo equipamento essencial individual, incluindo armamento, esperando-se que na próxima terça-feira saia de Lisboa um Antonov com o restante material, incluindo viaturas.
Os timorenses mantiveram-se na pista do aeroporto durante a operação de descarregamento do aparelho e de preparação das cerca de duas dezenas de viaturas da cooperação portuguesa que transportarão os militares para a capital timorense.
No avião vieram ainda cerca de 700 quilos de medicamentos doados pelo Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD).
O entusiasmo sentido entre a população no local traduz a expectativa que tem rodeado a chegada do contingente português, com residentes e governantes a admitirem que a actuação dos efectivos da GNR pode ser essencial para permitir o regresso dos habitantes de Díli às suas casas.
Uma situação que, na opinião do major Paulo Soares, "eleva os patamares de responsabilidade" da equipa de militares portugueses agora no terreno.
"Sentimos de facto essa ansiedade e uma enorme expectativa quanto à nossa chegada", disse à agência Lusa.
"Mas este é um contingente com muita experiência, quer ao nível de missões aqui em Timor-Leste quer no Iraque. São militares habituados a lidar com este tipo de situações e que actuarão sempre dentro da sua capacidade técnica e operacional, e independentemente das ansiedades e das expectativas", frisou.
Ainda que grande parte do equipamento dos militares portugueses não esteja ainda no terreno, Paulo Soares garantiu que a partir do momento em que chegar a Díli, e ainda que esteja em fase de instalação, o contingente terá "capacidade de actuação".
"Não lhe posso dizer se será numa actuação com os 120 ou com um grupo mais reduzido, mas está preparado para actuar de imediato", frisou.
O contingente viaja nas próximas horas, em coluna, de Baucau, a cerca de 120 quilómetros da capital timorense, para Díli onde é esperado ao início da tarde, hora local.
Esta é a segunda vez que a equipa de operações especiais da GNR actua em Timor-Leste, depois de uma missão de dimensão idêntica ter estado no terreno entre Fevereiro de 2000 e Junho de 2002.
Os militares portugueses estão em Timor-Leste na sequência de um pedido formalizado pelas autoridades timorenses a Portugal, Austrália, Nova Zelândia e Malásia para o envio de forças militares e policiais para apoiar na restauração da lei e ordem em Díli.
Nos últimos meses, Timor-Leste tem vivido os seus piores momentos de tensão, instabilidade e violência desde que se tornou independente, há quatro anos, na sequência da eclosão de uma crise político-militar que tem sido marcada por divisões no seio das Forças Armadas e da Polícia Nacional, e elevada tensão política.
Pelo menos 21 pessoas morreram e mais de 120 outras ficaram feridas na sequência dos confrontos marcados pela destruição de propriedade pública e privada e pelo saque de casas e edifícios públicos que levou muitos milhares a abandonar Díli.
Agência LUSA
Sábado, Junho 03, 2006
Momento de defender Constituição e independência, Xanana Gusmão
O Presidente da República de Timor-Leste, Xanana Gusmão, defendeu que agora, "mais do que nunca" se pede a todos que defendam a Constituição e a independência nacional, e se proteja a unidade do país.
Um pedido que começa por ser feito a ele próprio, disse num breve discurso de improviso, em português e inglês, na cerimónia de posse dos novos ministros da Defesa e do Interior.
O mais importante agora, acrescentou, "é estabilizar o país e reactivar o sentimento da unidade nacional entre a população", aparentemente "fragmentado".
"Temos de ganhar novamente o orgulho que mostrámos ao mundo", frisou.
A cerimónia realizou-se no Palácio das Cinzas (residência oficial do Presidente da República) perante o presidente do Parlamento, Francisco Guterres Lu Olo, o primeiro-ministro Mari Alkatiri, e o presidente do Tribunal de Recurso, que tem funções de Tribunal Supremo, Cláudio Ximenes, e do corpo diplomático.
Tomaram posse Ramos-Horta como ministro da Defesa e Alcino Baris como ministro do Interior.
Para hoje estava prevista a posse de três ministros mas Arcanjo da Silva, indigitado para a pasta do Desenvolvimento não compareceu.
José Ramos-Horta e Alcino Baris substituem, respectivamente, Roque Rodrigues e Rogério Lobato, que apresentaram quinta-feira a demissão durante uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros.
Após a cerimónia começou de imediato uma reunião do Conselho Superior de Defesa e Segurança, para discutir a crise que o país atravessa, na qual, segundo o porta-voz do Presidente da República, Xanana Gusmão apresenta" o plano de acção para executar as medidas de emergência, de acordo com a declaração lida pelo Presidente a 30 de Maio, para corresponder adequadamente às necessidades da população e da crise em geral".
Entre as medidas de emergência anunciadas por Xanana Gusmão, que vão vigorar por 30 dias, está incluída a apreensão de armas, munições e explosivos.
Timor-Leste vive os seus piores momentos de tensão, instabilidade e violência desde que se tornou independente, há quatro anos, na sequência da eclosão , há mais de um mês, de uma crise político-militar que tem sido marcada por divi sões no seio das Forças Armadas e da Polícia Nacional, e pelo mal-estar entre o Presidente da República e o primeiro-ministro.
Perante a situação, as autoridades timorenses tiveram de pedir a ajuda militar e policial da Austrália, Malásia, Nova Zelândia e Portugal para o restabelecimento da ordem.
De Portugal partiu sexta-feira uma companhia de 120 efectivos da GNR, com a missão de ajudar à manutenção da ordem pública, depois do seu restabelecimento, e de dar formação às forças de segurança de Timor-Leste.
Agência LUSA
Manhã absolutamente tranquila em Díli
As ruas de Díli foram, pela primeira vez nas últimas semanas, "invadidas" por "exércitos" de crianças a vender fruta e vegetais , naquela que é a primeira manhã sem qualquer incidente na capital timorense.
Depois de, nas últimas duas semanas, Díli ter vivido momentos de grande ag itação, com confrontos e incêndio de casas, vive-se hoje uma manhã de tranquilidade absoluta, como constatou a Agência Lusa.
Numa volta por toda a cidade, nomeadamente nos bairros onde se registaram mais actos de violência, o medo, os incêndios e os confrontos deram lugar a uma manhã pacata, com os timorenses a voltarem a abrir as suas lojas e a vir para as ruas.
É assim o ambiente no Bairro Pité, em Maliuna, Vila Verde ou Delta, na zon a do aeroporto e na parte oriental de Díli. Por toda a parte os táxis voltaram às ruas, na confusão de apitos caracter ística de Díli, agora entrecortada com a passagem de patrulhas militares e tanqu es de guerra, esses sim, com os seus potentes motores, a destoar dos sons da capital timorense. Ainda assim, é nas principais saídas da cidade que mais se nota a presença dos militares. A saída de Díli para Aileu e a estrada que conduz a Baucau são controladas por militares australianos, enquanto no lado ocidental, na estrada que leva a Tacitolo, estão soldados da Malásia. Mas nada disso parece incomodar os pequenos vendedores de tangerinas e de verduras, que circulam hoje pelas ruas de Díli como se as últimas semanas não tivessem acontecido no mais jovem país do mundo.
Agência LUSA
Sexta-feira, Junho 02, 2006
John Howard considerou demissões de ministros timorenses um passo positivo
O primeiro-ministro australiano John Howard afirmou hoje que a demissão dos ministros timorenses da Defesa, Roque Rodrigues, e do Interior, Rogério Lobato, é um passo positivo para restabelecer a estabilidade em Timor-Leste.
Rogério Lobato e Roque Rodrigues apresentaram quarta-feira a demissão do governo sendo substituídos por Alcino Báris e José Ramos-Horta, respectivamente.
"Não estou a querer definir quem deve estar no governo de um país estrangeiro, mas é óbvio que precisamos de uma liderança mais forte e menos contestada em Timor-Leste e uma das formas de fazer isso é mudar algumas das pessoas do actual governo", afirmou Howard, em declarações à cadeia de televisão Southern Cross Broadcasting.
"Muitos timorenses consideram que o actual governo é responsável pelos problemas na lei e na ordem. A demissão dos dois ministros e, pelo menos, a substituição do ministro da Defesa por alguém tão credível como Ramos Horta é um desenvolvimento bastante bom", sublinhou o primeiro-ministro australiano.
Howard recusou a ideia de que a tarefa dos militares australianos destacados em Timor-Leste está a ser mais difícil do que o previsto, apesar dos problemas de segurança continuarem a subsistir em território timorense.
"Quando eles partiram na semana passada disse que ia ser muito duro, não seria nenhum passeio. Tenho seguido a situação de muito perto. Penso que houve bons desenvolvimentos. Parece existir um movimento lento rumo à resolução de algumas tensões políticas", defendeu John Howard.
Agência LUSA
Quinta-feira, Junho 01, 2006
Situação estabilizada mas frágil, diz responsável da ONU
Díli, 01 Jun (Lusa) - A situação em Timor-Leste, país há várias semanas palco de violência diária, está "estabilizada" mas continua "frágil, disse hoje o responsável pela missão da ONU em Díli, Sukehiro Hasegawa.
"Penso que isto ainda é muito frágil, embora esteja mais estável do que há alguns dias", disse aos jornalistas o responsável das Nações Unidas.
A situação é instável, "devemos reforçar as nossas patrulhas de seguran ça e ajudar as forças policiais (internacionais) a espalhar-se pelo terreno o ma is rapidamente possível", acrescentou, felicitando-se também pela chegada, em br eve, de 120 elementos da GNR de Portugal.
Sukehiro Hasegawa precisou que há 65.000 pessoas refugiadas em vários l ocais de Díli. "Penso que a situação está controlada, alguns campos de refugiado s precisam de alimentos mas, pelo que sei, o Programa Alimentar Mundial (da ONU) começou a distribuir alimentos", disse.
Timor-Leste vive os seus piores momentos de tensão, instabilidade e vio lência desde que se tornou independente, há quatro anos, na sequencia da eclosão , há mais de um mês, de uma crise político-militar que tem sido marcada por divi sões no seio das Forças Armadas e da Polícia Nacional, e pelo mal estar entre o Presidente da República, Xanana Gusmão, e o chefe do governo, Mari Alkatiri.
Nos últimos dias, confrontos, principalmente em Díli e arredores, de mi litares contra militares, e entre estes e elementos do corpo da Polícia Nacional , envolvendo populares, provocaram já vários mortos e feridos e criaram uma situ ação de instabilidade e insegurança generalizadas no país, cujas autoridades tiv eram de apelar à ajuda militar da Austrália, Nova Zelândia, Malásia e Portugal p ara o restabelecimento da ordem.
Portugal vai enviar sexta-feira uma companhia de 120 efectivos da GNR p ara o país, com a missão de ajudar à manutenção da ordem pública, depois do seu restabelecimento, e de dar formação às forças de segurança de Timor-leste.
Xanana Gusmão apelou à população para que não saia de casa entre as 21:00 e as 06:00, indicou o seu porta-voz, Ágio Pereira, negando que se trate de um recolher obrigatório.
FP.
Lusa/Fim




